A moda athleisure já foi aderida por celebridades como Dua Lipa, Rihanna e im Kardashian
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A moda athleisure já foi aderida por celebridades como Dua Lipa, Rihanna e im Kardashian

A tendência de usar roupas fitness no dia a dia já foi explorada por várias celebridades, como Dua Lipa, Rihanna, Hailey Bieber e Kim Kardashian. As peças, que anteriormente eram vistas apenas dentro de espaços esportivos, estão tomando o cotidiano com uma proposta “da academia para o trabalho”. A professora de Design de Moda Madeleine Muller explica o conceito dessa tendência e quais as principais vantagens que ela proporciona.

“A moda athleisure vem da combinação das palavras em inglês que traduzem o ‘atlético’ e o ‘lazer’, oferecendo aos usuários uma aparência descolada, confortável e muito prática. Esse estilo também transmite que o segmento fitness não é algo isolado na academia: ele ganhou as ruas e muitos outros espaços, fazendo combinações com outras peças do guarda-roupa, sempre prezando pelo conforto”, elucida a especialista.

É justamente o ar descolado que permite que essa moda seja aplicada sob diferentes circunstâncias e eventos, como declaram Carol Caliman e Carlinha Catap, consultoras de estilo. De acordo com elas, essa é uma tendência bem aceita em variados ambientes, o que potencializa a aplicação dela no cotidiano de cada vez mais pessoas. Além disso, essas composições podem acompanhar o indivíduo durante todo o dia, independentemente dos compromissos vigentes.

“Para quem curte esse estilo a vantagem está na versatilidade das peças irem de momentos de lazer, como passeios no final de semana, até momentos mais sofisticados, como festas. O fato de essas peças terem uma pegada mais moderna faz com que, atualmente, elas sejam bem aceitas em ambientes que, a princípio, não têm nada a ver com o ambiente esportivo. Dessa forma, dependendo de como você usar a moda athleisure e os complementos do seu look, é possível emendar um compromisso pessoal em um evento de trabalho e no final dar uma passada na academia com poucos ajustes”, ressaltam. 

Ainda sobre as vantagens da moda athleisure, Madeleine Muller chama atenção para o fato de que atualmente as peças oferecem, além de conforto, outros benefícios para quem as adere no dia a dia. “É preciso citar algumas características desses produtos: os novos materiais, tecnologias e tecidos funcionais utilizados na produção dessas roupas garantem redução de odor, termorregulação, elasticidade, respirabilidade, absorção de suor, secagem rápida, proteção UV ou contra sujeira, durabilidade e sustentabilidade”, diz. 

Moda athleisure e moda agênero: funciona? 

A resposta das especialistas é: sim, as duas tendências podem ser aplicadas em conjunto. De acordo com Carol Caliman e Carlinha Catap, as peças que se encaixam na moda athleisure, em sua maioria, não possuem marcadores de gênero dentro da binaridade “masculino” e “feminino”, ou seja, é possível montar uma composição que fuja dos  estereótipos de masculinidade e feminilidade vigentes. 

“Na verdade, acreditamos que roupa não tem ou não deveria ter gênero, assim como não tem idade e não deveria ter tamanho. Historicamente ainda somos muito ligados a esse tipo de divisão – ‘masculino’ e ‘feminino’ –, mas tirando questões específicas (como a necessidade de um top dar suporte aos seios durante a prática de um esporte, por exemplo), as peças transitam bem nessa fluidez”, explicam elas. 

Madeleine Muller complementa dizendo que quaisquer  roupas tornam-se agênero uma vez que a pessoa que as adere vem com essa proposta. É a pessoa quem veste a roupa, e não o oposto: “Partindo do princípio de que as roupas sem gênero não definem se a roupa é feminina ou masculina, quebrando o tal padrão, entendemos que usa quem quer ou se identifica, sem que a roupa tenha o poder de definir o que é feminino ou masculino. As novas gerações, que preferem quebrar estereótipos, buscam uma moda neutra, com modelagem para todos os tipos de corpos, onde o consumidor, que compra e usa, é quem dita a qual gênero ele pertence”, declara. 

Por onde começar?

Há várias formas de montar um look athleisure, de acordo com Muller. “As opções vão desde os mais óbvios até as modinhas da vez, como o camisetão usado como vestido com a cintura marcada por um belo corset, como já visto em uma das Kardashians”, exemplifica. Ela também recomenda que sejam incorporados bons tênis à composição. 

“O uso de tênis bacanas confere personalidade aos looks, mas nada impede que se usem botinhas e coturnos misturadas aos moletons oversized, brincando com as proporções”, aponta. Para as consultoras de moda Carol Caliman e Carlinha Catap, uma maneira fácil de começar a aderir a este estilo é ter algumas peças coringa em mãos, de preferência que já sejam usadas no dia a dia. 

“Por exemplo, se você curte usar tênis, ao invés de usar um mais delicado, traga um tênis bem chunky, colorido, que traduza essa essência no seu look, ainda que ele tenha uma pegada mais casual do que athleisure no geral. Se você for fã de jaquetas, tente substituir a sua de sempre por uma jaqueta corta-vento esportiva ou um casaco puffer colorido, que também segue a onda athleisure”, aconselham. 

As especialistas também comentam que tentar composições diferenciadas e que saem da zona de conforto pode render boas descobertas. “Vale também tentar misturar coisas improváveis, como jeans e peças esportivas ou até sapatos mais delicados ou sofisticados como sandálias e scarpins com peças athleisure para fazer um look mais moderno”. 

Sobretudo, de acordo com elas, o mais importante é ter em mente que essas tendências vêm como algo a mais para as composições do cotidiano, ou seja, não é preciso ter pressa para incorporá-las, tampouco preocupar-se em seguir determinadas “normas”, como se fosse uma receita de bolo, por exemplo. 

“O mais legal é entender que você não precisa se fantasiar e que essa tendência vem num momento em que as pessoas prezam cada vez mais pelo conforto. Logo, para embarcar no athleisure você não precisa se vestir com essas peças da cabeça aos pés – basta trazer os elementos que você mais curte para o seu look e aproveitar”, declaram Caliman e Catap. 

Algumas atitudes podem ser tomadas para nortear as escolhas do cotidiano e garantir a inserção da tendência athleisure nos hábitos de vestimenta. Madeleine Muller aponta que respeitar o tipo físico e as circunstâncias de cada um, bem como as especificidades da rotina, são fundamentais. 

“Acho que o segredo é o bom senso e a adequação ao contexto, respeitando seu tipo físico. Também depende da personalidade e estilo de vida de quem usa. Os jovens adoram ousar nos comprimentos com micro shorts, leggings e tops ousados sob casacos estilo jogging mas com uma pegada urbana”, declara. 

Para ela, investir em sobreposições – com roupas de academia junto a outros estilos – também é uma possibilidade válida para tornar as composições mais personalizáveis e de acordo com diferentes propostas. 

“Também podem ser feitas sobreposições misturando peças de academia com alfaiataria, mas sempre tendo uma estrutura casual. Claro que tudo depende dos tecidos e acabamentos, das cores e dos complementos escolhidos. Acima de tudo, é importante se sentir bem e adequado à situação ou local, entendendo sempre que moda também são modos de usar”, diz a especialista. 

Ao ser questionada se a moda athleisure pode ser usada em todas as estações do ano, Muller destaca que sim, é possível adaptar os looks para diferentes temperaturas.

“Acho que essa questão das estações acaba se misturando, muito em função das regiões do país, que convive com temperaturas variadas, e também pelo fato de cada vez mais fazermos as misturas hi/low, leve com pesado, permitindo que diferentes materiais e texturas se combinem e se adaptem conforme o local ou clima”. 

Contudo, ela também destaca que atualmente está crescendo no meio da moda um conceito que foge das limitações da estação para explorar propostas que sejam úteis e viáveis em diferentes épocas do ano, o chamado "seasonless", ou seja, moda sem estação. Mulle explica que a ideia central nesse tipo de produção é que as peças tenham uma vida útil mais longa.

"Isso faz com que possam ser usadas no decorrer de várias estações – do verão ao inverno, bastando fazer as devidas adaptações. Ao produzir uma coleção seasonless, o ideal é deixar o calendário de estações um pouco de lado para que a criatividade e o design se sobressaiam. Produzir peças que podem ser aproveitadas em diferentes climas é a chave para o sucesso neste conceito”, detalha.

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