Os croppeds podem atender a todos os estilos e corpos
Jansel Ferma/Pexels
Os croppeds podem atender a todos os estilos e corpos


O cropped apareceu na indústria da moda nas décadas de 1930 e 1940. Nesta última, era usado junto de saias midi de cintura alta, principalmente para realçar a silhueta. Depois, começaram a ser usados com hot pants, também com cintura alta. Essa peça também marcou presença na época hippie, e nos anos 80, com a estética esportiva, ganhou ainda mais força entre mulheres e homens. De lá para cá, as formas de usar o cropped foram se expandindo, bem como o público que o procura.

Apesar de antigamente ser incorporado ao cotidiano tanto por homens quanto por mulheres, há alguns anos essa peça foi associada totalmente a figura feminina e ao corpo da mulher. Mas esse cenário está mudando, como observa a consultora de imagem Thaís Lourenço.

“Acredito que estamos passando por um momento de liberdade com a moda. Mais do que nunca, os padrões engessados do que é ‘masculino e ‘feminino’ são questionados e as pessoas estão descobrindo e aceitando que a moda é liberdade e não prisão”, comenta. Ela destaca ainda a presença do cropped em corpos masculinos no tapete vermelho. “Tivemos super recentemente o exemplo do ator Timothée Chalamet no red carpet do Oscar justamente usando um blazer cropped. Ou seja, os padrões binários das peças estão sendo quebrados de forma bem visível”. 

Para o stylist Renan Furlan, o fato do cropped ser muito presente no meio artístico e internacional ajudou a impulsionar a exploração da peça por todos os tipos de corpos e identidades. “O fato de no exterior e no meio artístico o cropped ter grande aceitação vem influenciando jovens brasileiros a usarem, mas principalmente os adeptos à tendências inusitadas, apaixonados por moda e personalidades LGBTQIA+ , que investem em looks criativos nas redes sociais”, pontua. 

Reage, bota um cropped

Seja para uma ocasião especial ou compromissos cotidianos, as roupas podem valorizar ainda mais as curvas e principalmente a autoestima dos indivíduos. Felipe Ruffino é jornalista especializado em moda masculina e explica como o vestuário tem relação direta com a forma como cada um se enxerga e se coloca perante diferentes circunstâncias. 

“A roupa é a peça fundamental quando falamos de autoestima, porque ela faz qualquer pessoa se sentir mais confiante e sexy. De acordo com o que se veste, pode-se transmitir o que está sentindo e o que quer, além de ajudar as pessoas a verem nossas qualidades e consequente contribuir para a autoestima. Tudo vai de acordo com a autenticidade em cima da composição do look”, explica. 

Em vista das diversas possibilidades mediante a incorporação de uma nova peça, vale ter em mente tudo que o cropped é capaz de proporcionar. Thaís Lourenço, por exemplo, pontua como a peça promove ilusões de ótica capazes de valorizar diferentes partes do corpo. “A modelagem de um top cropped tem o poder de diminuir o tronco por meio de um efeito de ilusão de ótica, e fazendo isso cria por consequência uma sensação de alongamento das pernas. Sendo assim, além de ser uma peça super despojada e estilosa, valoriza principalmente os bottons de cintura alta (calça, saia, shorts)”, comenta. 

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Ao mesmo tempo, diferentes modelos de cropped oferecem apresentações e caimentos diferenciados que podem atender a diferentes propostas, como explica Renan Furlan: “Os modelos mais justos modelam o corpo e valorizam as curvas, já os mais soltinhos (ou até oversized, como tem se usado nas muitas camisas cropped mais largas) fazem a ilusão de uma peça mais ‘volumosa’, disfarçando o colo tanto para quem tem muito busto que não gosta de evidenciar quanto para quem tem pouco busto, deixando uma ‘aparência neutra’. Isso permite que a pessoa escolha qual proposta ela quer usar em cada dia, podendo até usar estampas ou aplicações de pedras para enriquecer a peça. Essa liberdade dá o poder de se sentir mais confortável com seu corpo, mais seguro e confiante”, expõem. 

Quando se fala sobre valorização dos corpos, surge também a dúvida sobre se as peças são democráticas ao ponto de conseguirem vestir bem um corpo gordo, por exemplo, que destoa do padrão de beleza imposto.

Felipe Ruffino destaca que já se foi o tempo em que a moda é regida por regras dessa natureza, e que todos os corpos podem caber em um cropped. “Os fashionistas mais renomados garantem que não tem problema as pessoas investirem no cropped para deixar a barriga à mostra. Foi-se o tempo em que a moda era destinada a um determinado grupo ou padrão de beleza. O padrão é não ter padrão”, declara. 

Ainda sobre este aspecto, Thaís Lourenço relembra a importância da roupa servir ao corpo, e não o contrário. “A roupa é apenas um pedaço de pano e ela precisa servir o nosso corpo. Todos os corpos podem e devem vestir tudo o que quiserem, com a modelagem certa e valorizando o seu próprio gosto. Reagir botando um cropped tem um impacto tão positivo que você nunca mais vai querer tirar do corpo. Busque por marcas que tenham fabricação de tamanhos que te sirvam, prove, cerque-se de inspirações”, aconselha. Ela reforça também que ir atrás de referências, principalmente para quem está começando a aderir os croppeds. É uma forma de conseguir um norte nesta jornada e ganhar inspiração para novos looks. 

“A gente realmente só reconhece o nosso gosto pessoal e só consegue se aventurar quando vê outras pessoas fazendo isso, então esteja rodeado por referências, entenda o que gosta. Normalmente, começar a usar os croppeds um pouco mais comportados, estilo T-shirt, te dá aos poucos mais confiança para arriscar nos mais curtos, decotados e de diferentes modelagens”, indica a especialista. 

Para quem está começando a experimentar algumas composições com cropped, Renan Furlan cita algumas das peças mais comuns usadas em conjunto: “Na parte de baixo tem se usado muita calça alfaiataria ou jeans Wide Leg cintura alta, em grande parte com a barra mais fluída, shorts, bermudas de couro e saia lápis e/ou envelope também criam uma harmonia jovial para quem gosta de looks atemporais”. 

Thaís, por sua vez, destaca também como as sobreposições podem ser uma boa pedida para variar ainda mais e conseguir inserir o cropped em um número maior de combinações. “Pode-se usar uma terceira peça, como kimonos, camisas e cardigans; dá mais segurança porque tem menos pele à mostra, então caso queira começar devagarinho, mirando na Rihanna, crie uma composição em que você se sinta confortável”, explica ela.

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