A cantora Maellen nos bastidores da gravação de seu clipe
Foto de Arthur Rodrigues
A cantora Maellen nos bastidores da gravação de seu clipe "Meu Estilo É Livre", com o cantor PK.

Lohana Maelen, de 25 anos, mais conhecida como Maellen, transformou suas duas paixões em realidade após ter sido expulsa de casa aos 18 anos, quando se assumiu lésbica  para a sua família. Ela não deixou que seus sonhos fossem parados, pelo contrário, foi atrás da independência financeira, se estabeleceu como uma das maiores jogadoras on-line, a única mulher que participou de uma final da pro League de Free Fire, e retornou para o mundo da música para conseguir consolidar seu maior sonho: de ser cantora.

A faceta cantora já existia antes de ser gamer, mas foi a partir do Free Fire, que pôde alcançar estabilidade financeira e emocional para investir na carreira musical. Ela conta que saiu da faculdade de Administração faltando apenas dois períodos para se formar, focando apenas em “streamar”, pois ela via que era possível colher frutos. E foi isso que aconteceu: ela largou tudo e agora soma quase 2 milhões de seguidores só no Instagram.

Na época, ela não tinha apoio dos pais, então precisou comprar equipamentos sozinha. Assim, ela parcelou no cartão de crédito um computador, uma webcam e um fone, e o celular que já tinha, viraram seus maiores companheiros de trabalho.

A trajetória dela não foi fácil, mas agora pode dizer que a família tem orgulho e aceita sua orientação sexual. Maellen atualmente também tem uma filha com sua noiva, Karen Moraes, e não vê necessidade de esconder seu relacionamento, pois para ela “amor faz bem, é carinho”.

A parte mais difícil de se assumir foi para a família, pois ela queria apenas o apoio deles e conta que, após ter falado sobre isso, retirou um peso das costas e atualmente declara que não liga para o que as pessoas de fora vão pensar ou achar. Embora no início não tivesse apoio, agora a mãe a aceita e respeita, o que já é o suficiente para a artista.

Antes de virar produtora de conteúdo e cantora, ela já recebeu ajuda de um grande produtor, Pablo Bispo, que na época dava aulas para ela em um programa para jovens aprendizes. 

“Ele me deu aula e me conheceu nessa época que estava no começa da música, eu faltava em algumas aulas e ele abonava minhas faltas, ele falava: ‘vai lá gravar”, mesmo eu não tendo recurso nenhum ele me apoiava, e foi aqui que eu falei ‘vamos embora, vamos fazer’, e a partir disso fui alcançando uma coisa de cada vez”, relembra a artista, que tem agora um contrato com a Universal Music.

Ao lançar sua música de retorno à carreira musical, “Minha História”, que também faz parte do seu álbum “Meu Estilo É Livre”, ela conta sobre as reviravoltas que a vida deu. O trabalho de estreia tem influências de gêneros como trap, funk e pop, enfatiza a essência musical e rememora a história e momentos felizes da artista. As letras narram histórias sobre curtição, animação, luta para vencer adversidades, além da liberdade de ser quem é e fazer o que tem vontade, sem pensar em preconceitos ou estereótipos arcaicos.

A influenciadora também cita que sua principal inspiração na música é a cantora Anitta, por ser uma mulher livre, que vem quebrando barreiras nacionais e mundiais e sendo como ela é, uma das características que Maellen também nutre em sua vida pessoal e profissional: ser quem ela é, com sua maneira autentica e cheia de carisma.

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Embora tenha Anitta como sua maior referência, também vê importância de Filipe Ret e Matuê em sua vida, pois ambos defendem ideais e opiniões. 

Ela explica que nunca imaginou virar influenciadora por causa das lives, pois o jogo era apenas um hobby, mas percebeu que agradava bastante o público e começou a ter fãs, começando até inspirar as pessoas por meio das transmissões. Por isso, ela também enxerga a responsabilidade que tem para os jovens que a acompanham. Maellen também reflete sobre as dificuldades que passa por estar dentro de um ambiente machista, mas garante que sabe lidar com os jovens e busca conscientiza-los.

“É uma galera de 13 a 19 anos que está formando suas opiniões e ideais. É uma nova geração, e eu tento educá-los para entenderem que precisam respeitar o próximo, e vão crescer entendendo que amar o próximo, amar o outro, ou qualquer quem seja, não é nada de outro mundo”.

“Não é por causa da minha orientação sexual, que ela vai definir a minha profissão ou vai definir o meu sucesso. Nós podemos ser o que nós quisermos, seja profissionalmente ou não, isso não significa nada”, enfatiza.

Com tanto sucesso também surgem os haters, mas ela comenta que busca fugir desse tipo de pessoas, sobretudo, quando o foco do comentário maldoso é sobre sua orientação sexual.

"Eu não gosto nem de ver e, quando eu vejo, bloqueio porque não gosto de ficar alimentando esse certo tipo de comentário e nem essas pessoas na minha vida que não estão acrescentando em nada. Na verdade, eu fico muito triste por ter pessoas assim hoje em dia, em pleno século 21”.

Sabendo ainda que o seu público é jovem,  aconselha para as meninas que são lésbicas e estão pensando em se assumir, que busquem primeiro uma independência financeira, para caso a notícia não seja bem aceita pela família. Maellen diz que essa é uma forma da pessoa se manter, assim como a própria cantora já fez na vida. Ela ainda manda uma mensagem para todas as mulheres que querem seguir seus sonhos.

“Acreditem em si, independentemente do julgamento de alguém, independentemente de qualquer coisa como mulher, não só como lésbica, você sempre tem alguém lhe botando para baixo, se elas acreditarem nela, elas terão todas as chances do mundo”, finaliza. 

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** Julio Cesar Ferreira é estudante de Jornalismo na PUC-SP. Venceu o 13º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão com a pauta “Brasil sob a fumaça da desinformação”. Em seus interesses estão Diretos Humanos, Cultura, Moda, Política, Cultura Pop e Entreterimento. No iG, é estagiário de Último Segundo.

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