O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson
O Antagonista
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou na última quarta-feira (6) que é contra a participação de mulheres trans em categorias femininas em competições esportivas. De acordo com a BBC, a fala foi proferida ao abordar diversos tópicos e ações do governo britânico.

"Não acho que homens biológicos devem competir em eventos esportivos femininos. Talvez isso seja algo controverso de se dizer, mas parece ser algo sensível. Também acho que mulheres devem ter espaço, seja em hospitais, prisões ou vestiários, que sejam dedicados às mulheres. Esse é o máximo que consigo pensar sobre o assunto", diz o primeiro-ministro.

As afirmações foram feitas antes de Johnson comentar sobre as ações para proibir as chamadas terapias no território. No entanto, o projeto causa preocupações já que só seriam banidas as conversões para pessoas homoafetivas, não incluindo pessoas trans.

"Se isso me coloca em conflito com outras pessoas, então temos que trabalhar nisso. Isso não significa que não simpatizo com pessoas que querem trocar seus gêneros, que querem transicionar. E é vital darmos a essas pessoas o máximo de amor e apoio nessas grandes decisões. Esses assuntos são complexos e não podem ser resolvidos em uma legislação fácil e rápida. É preciso de muito para acertar nisso", conclui Johnson.

O assunto voltou à tona no Reino Unido após a ciclista trans Emily Bridges, que foi considerada inelegível para competir em sua primeira competição internacional. Ela iniciou a terapia hormonal em 2021 e foi permitida a participar de eventos pela Federação Britânica de Ciclistas pelos baixos níveis de testosterona. Mesmo assim, a União Internacional de Ciclistas (UCI, sigla inglesa) não permitiu a participação da atleta.

Leia Também

De acordo com a UCI, atletas trans devem participar com "proteção de saúde e segurança" e "garantir uma competição justa que mostre e recompense os valores fundamentais do esporte". A opinião de atletas femininas ficou dividida: houve apoio a Bridges, mas um grupo de pesquisadores, cientistas e atletas olímpicas aposentadas pediram à UCI que critério de escolha de atletas seja feito "com base em características biologicamente femininas".

O que também impediu a participação de Bridges foi a falta de uma regra padronizada para a participação de mulheres trans. Apesar de o Comitê Olímpico Internacional (COI) já negar que não há vantagens de atletas trans nos esportes, é recomendado apenas que cada modalidade olímpica faça suas próprias regras, o que pode incluir a variação de níveis de testosterona ou a não participação de atletas trans.

No momento, o padrão é que atletas trans podem competir após um ano de tratamento para bloquear a produção de testosterona. De acordo com o COI é necessário que, durante os 12 meses anteriores ao início da competição e todo o tempo em que a atleta continue competindo, o nível de testosterona não ultrapasse 10nmol/l.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários