aula Volp, Pâmela Volp (ex-vereadora de Uberlândia) e Lamar Bionda foram presas em operação
REPRODUÇÃO/G1
aula Volp, Pâmela Volp (ex-vereadora de Uberlândia) e Lamar Bionda foram presas em operação


Na última segunda-feira (8), um grupo de organização criminosa suspeita de exploração sexual contra travestis e mulheres trans foi alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Uberlândia, Minas Gerais. A "Operação Libertas" prendeu três pessoas, incluindo a ex-vereadora Pâmela Volp.

Informações da TV Integração, afiliada à Globo, e do G1 apontam que o grupo ainda fazia manutenção de casa de prostituição e praticava lesão corporal contra as vítimas. A organização também tinha participação em roubos, além de ser suspeita de homicídio, constrangimento ilegal, ameaça e posse de arma de fogo. As envolvidas também financiavam procedimentos estéticos clandestinos para as trabalhadoras sexuais.


Além da prisão de Pâmela, foram detidas Paula Volp, filha da ex-vereadora, e Lamar Bionda. Onze mandados de busca e apreensão foram cumpridos. O Ministério Público de Minas Gerais aponta que 60 policiais militares participaram da operação.

Durante o mandato de busca, a polícia apreendeu cerca de R$106 mil em espécie. As notas levavam os nomes das travestis ao pagar as dívidas. Também foi descoberto que Pâmela possuía dois carros de luxo avaliados em R$800 mil.

Crimes cometidos

Thiago Ferraz, promotor do Gaeco, explica que Pâmela e Lamar fizeram um esquema que dividia a cidade para exploração sexual de travestis, sendo cada área designada a cada uma delas.

As travestis eram obrigadas a pagar R$50 para trabalhar, além de arcar com os custos de alimentação e moradia. Ferraz aponta que faltar ao trabalho causava dívidas ao receber o pagamento. Caso contrário, as trabalhadoras sexuais sofriam constrangimentos, lesão e roubo.

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"Cada travesti que chega na cidade para trabalhar só pode trabalhar para essas duas pessoas. Se não trabalhar para essas duas pessoas não tem campo para trabalhar aqui. Cada ponto da cidade é cobrado o valor de uma diária", explicou Ferraz à televisão.

O Gaeco também investiga se Pâmela e Lamar estão conectadas a morte de Ailson Souza da Silva, que era do Acre e tinha 20 anos. Ela teve complicações devido a prótese de silicone colocada com ajuda de ambas e faleceu.

"Esse silicone foi aplicado, a travesti começou a passar mal, foi internada em Uberaba e acabou não resistindo. Ela faleceu em decorrência de choque hipovolêmico, em decorrência desse silicone de construção, que era aplicado através de uma seringa de cavalo", aponta Ferraz.

Pâmela também tinha contatos em uma clínica clandestina no bairro da Liberdade, em São Paulo, que ficou conhecida em fevereiro deste ano depois que Lorena Muniz, 25, foi deixada sedada na mesa de cirurgia após o local pegar fogo .

Segundo Ferraz, Pâmela custeava o silicone e depois cobrava o valor das travestis. Com mais dívidas, as travestis ficavam impossibilitadas de sair da organização.

O Ministério Público coversou com trabalhadoras sexuais e confirmaram a existência de intercâmbio de travestis com Santa Catarina. "Quando as travestis passam a não dar mais lucro aqui, elas 'pulam' para Santa Catarina e as de lá vem para cá, comandados por uma mulher lá, também ligada à Pâmela Volp", explica o promotor do Gaeco.

A investigação corre em segredo de justiça, mas o promotor explica que os próximos passos incluem pedir reconhecimento de outros participantes, analisar as chances de prisão preventiva e sequestro de bens para que as três sejam indenizadas.

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