4ª Marcha do Orgulho Trans de São Paulo tem programação on-line
Ted Eytan
4ª Marcha do Orgulho Trans de São Paulo tem programação on-line




Por conta da pandemia do novo coronavírus, a 4ª Marcha do Orgulho Trans de São Paulo acontece on-line e leva rodas de conversas sobre temas importantes para a comunidade trans. A programação, que acontece desde o dia 4, recebe bate-papos nos dias 18 e 25 para falar sobre empreendedorismo trans, linguagem neutra e a polêmica em torno da PL 504/2020 .

A marcha trans foi idealizada por Pri Bertucci, CEO da da [DIVERSITYBBOX] e fundador do Instituto [SSEXBBOX]. Os bate-papos, chamados de #TransTalks e mediados por Bertucci, são transmitidos sempre às 19h no canal do YouTube do instituto. Os últimos debates contam com a presença de nomes como Jaqueline Gomes de Jesus Linda Brasil Azevedo Santos e Erica Malunguinho.


No dia 18 de junho, os bate-papos abordam sobre “O Futuro do Trabalho” e “Importância da Comunicação Inclusiva”. O primeiro busca refletir sobre a força de trabalho do futuro, a geração de impactos positivos sociais e a criação de um mercado de trabalho mais inclusivo. Participam da mesa Jaqueline Gomes de Jesus e Luana Gimenez. O segundo bate-papo, com início às 20h30, convida a socióloga Debora Gepp para abordar a sobre a comunicação inclusiva.

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O dia 25 também reúne mais dois bate-papos. O primeiro está relacionado a “Empreendedorismo Trans”, com presença da ativista e co-fundadora da loja Translúdida, Fernanda Kawani.

O segundo encontro, às 20h30, reúne a deputada estadual Erica Malunguinho, a transativista e ex-vereadora Filipa Brunelli, e a militante Linda Brasil Azevedo Santos para a mesa “Um Olhar Para a Inconstitucionalidade - PL 504”. O bate-papo falará sobre a tramitação da lei que vetaria a presença de LGBTQIA+ em propagandas por serem “má influência” e discutir sobre o cenário político atual para pessoas trans.

Banheiros inclusivos

O tema da 4ª Marcha do Orgulho Trans é “Banheiros Inclusivos” e busca conscientizar a população sobre esses locais em que, muitas vezes, as pessoas trans e travestis sofrem violências. De acordo com dados da entidade estadunidense National Center for Transgender Equality, divulgados em 2016, 60% da população transgênero evita usar banheiros públicos por medo de agressões e assédio.

Para conseguir atualizar este mapeamento, o instituto [SSEX BBOX] se uniu a Rede
Brasil do Pacto Global da ONU, que realiza essa coleta de dados, para realizar o levantamento. De acordo com a pesquisa, banheiros de shoppings são líderes em índice de violência, seguido por baladas, restaurantes, academias, museus, cinemas e empresas. A pesquisa pode ser respondida ao longo do período da marcha e pode ser respondida no site oficial do evento.

O evento busca dialogar sobre as problemáticas e soluções para que espaços públicos possam tornar esse local mais inclusivo e seguro. “Cada pessoa deve utilizar o banheiro conforme seu gênero, e não conforme o seu corpo/genital. Mas a realidade do preconceito vem do problema que a maioria das pessoas não aprendeu ainda a separar o corpo da identidade. O que existe é uma falta de compreensão generalizada sobre as existências trans, e isso complica as coisas”, explica Bertucci.

Carlo Pereira, diretor executivo do Rede Brasil do Pacto Global da ONU, afirma que banheiros inclusivos podem tornar esses espaços mais seguros para pessoas trans. “Uma pesquisa revista pela Behavioral Public Policy da Cambridge University Press aponta outros benefícios de banheiros inclusivos e de gênero neutro: redução de espera para quem precisa usá-los e até mesmo redução de custos de construção e manutenção por parte das empresas. Precisamos discutir este tema ainda tão cheio de tabus e desinformação em nosso país”, afirma.

Bertucci explica que, na prática e na teoria, a questão pode ser resolvida com sinalizações novas para que os banheiros possam atender a todas as identidades de gênero. “Quando voltarmos desse isolamento social, queremos encontrar ambientes mais inclusivos”, diz.

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