
Mesmo com a redução no total de casos, o Brasil segue, pelo 17º ano seguido, como o país com maior letalidade contra pessoas trans no mundo, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).
O levantamento contabiliza ao menos 80 assassinatos de pessoas trans e travestis ao longo de 2025, número 34,4% inferior ao registrado no ano anterior, quando foram confirmadas 122 mortes.
Os dados também revelam a vulnerabilidade das vítimas: a maioria é formada por jovens trans negras, em situação de pobreza, residentes no Nordeste e mortas em locais públicos, muitas vezes com extrema violência.
O estudo, tornado público nesta segunda-feira (26), aponta ainda que a vítima mais nova era uma adolescente de apenas 13 anos.
Entenda o processo de construção do dossiê
A pesquisa foi construída a partir de notícias, postagens em redes sociais e informações de fontes não governamentais. Isso porque, de acordo com a presidente da associação, Bruna Benevides, o poder público brasileiro ainda não produz estatísticas oficiais que contemplem esse recorte populacional da comunidade LGBTQPIAN+.
Dados sobre os assassinatos podem ser ainda piores
A Antra alerta que os dados podem estar subestimados, já que o relatório foi elaborado exclusivamente a partir de informações tornadas públicas, o que amplia a possibilidade de subnotificação e indica que o total real de vítimas pode ser ainda mais elevado.
Em 2025, dos assassinatos registrados, 77 tiveram como alvo travestis e mulheres trans ou transexuais, enquanto três casos envolveram homens trans e pessoas transmasculinas. Entre os 57 casos em que foi possível identificar raça ou cor, 70% das vítimas eram pessoas trans negras.
Os números reforçam a urgência de políticas públicas articuladas para enfrentar a violência contra travestis e transexuais. Entre as medidas defendidas pela Antra, estão a criação de estatísticas oficiais com recorte de identidade de gênero, ações preventivas, investigação dos crimes, punição dos responsáveis e políticas de inclusão social, garantindo o combate direto à transfobia institucional.




