Yasmin Benoit, ativista assexual e modelo
Reprodução/Instagram
Yasmin Benoit, ativista assexual e modelo

A modelo e ativista britânica Yasmin Benoit, denunciou em sua rede social que sofreu ataques acefóbicos nas redes (discriminação contra pessoas assexuais) após ter ido à Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Londres.

A jovem se identifica como assexual e busca sempre pautar a questão da visibilidade da assexualidade e do arromantismo em seu dia a dia, tanto que foi a primeira pessoa que fundou uma iniciativa em prol dos direitos assexuais do Reino Unido.

No post, ela relata que o que era para ser um dia feliz, tornou-se um caos após ler os ataques que sofreu por ser “ace”, uma forma de identificar os assexuais na língua inglesa.

“O fim de semana passado foi o crescente do que tem sido um mês caótico, cansativo, mas divertido e frutífero. Eu participo das Paradas do Orgulho desde os meus 14 anos e nunca encontrei nenhum problema pessoalmente lá. A Parada de Orgulho de Londres não foi diferente. Eu tive um fim de semana incrível, passeando com amigos, curtindo as festividades e caminhando com Stonewall [uma instituição de caridade de direitos LGBTQIA+ da Europa] (com quem lancei a primeira iniciativa de direitos assexuais do Reino Unido há alguns meses) no desfile pela primeira vez. Não achei que nada do que eu fiz naquele dia fosse particularmente controverso. Aparentemente, foi”. escreveu na primeira parte de seu relato.

Antes mesmo dela chegar casa começou os ataques nas redes socais, principalmente no Twitter, por simplesmente aparecer como uma pessoa assexual na Parada do Orgulho de Londres.

“Desde então, o assédio tem sido incessante e tem provocado uma onda de acefobia no Twitter que está se repercutindo em outros membros da comunidade. Ao mesmo tempo, tenho tido pessoas insistindo que este tipo de acefobia nunca aconteceria. É por isso que as pessoas assexuais muitas vezes se preocupam em ir para eventos como a Parada do Orgulho. Estes tipos de atitudes são exemplos do "discurso" que todos nós conhecemos muito bem, e como a retórica queerfóbica é frequentemente reciclada para atacar diferentes minorias dentro da comunidade LGBTQIA+... muitas vezes por outras pessoas estranhas, jovens e velhos, TERFs [feministas radicais transexcludentes] ou não”, completou ela na legenda.

Nas imagens que ela compartilha, há vários prints de ataques a Yasmin e sua sexualidade. Alguns diziam coisas como: “Eles acabarão encontrando uma cura para todos esses pervertidos sexuais. Eles podem não gostar, mas tenho certeza a sociedade vai”. Outro também mostrou uma crítica de dentro da própria comunidade, revelando que ainda não há um acolhimento para todas as letras da sigla.

“Tão nojento pegar carona em um movimento em que homens e mulheres são torturados e mortos pelo direito de sentirem atração pelo mesmo sexo. Nunca foi ilegal não fazer sexo. Nunca foi algo que você poderia ser discriminado no trabalho ou espancado na rua por. VOCÊ É NOJENTA.”, disse um internauta. 

“Ser assexual é o que a igreja quer de nós gays. É uma forma de terapia de conversão”, publicou outro. 

Esses foram só alguns dos comentários maldados que recebeu, mas houve outros também de cunho machista.

“Eu não digo isto para adiar o envolvimento dos assexuais na Parada do Orgulho. Fui até lá para marchar para que os “aces” da multidão pudessem me ver e se sentir incluídos, e isso funcionou. Digo isto para que meus seguidores que não são assexuais possam ser conscientizados (mais uma vez) de que este é realmente um problema, especialmente nesta época do ano. Tudo o que eu fiz foi ir à Parada do Orgulho, como milhares de outros, usando o que eu queria em um dia quente e me divertindo. Não deveria ser controverso o suficiente para virar um viral e causar tudo isso. Mas fique tranquilo, isso não vai me impedir”, finalizou a ativista em sua publicação.

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