Situação dos ativistas LGBT russos se complica
Paulo Pinto/ Fotos Públicas
Situação dos ativistas LGBT russos se complica

A Sphere, fundação russa de caridade cujo objetivo é promover direitos LGBTQIAP+ e a comunidade queer do país há mais de uma década, teve os trabalhos suspendidos em caráter oficial dia 19 de abril após um tribunal da Rússia optar por dissolver a instituição – conforme solicitado pelo Ministério da Justiça. O governo russo ordenou uma “auditoria não programada” da instituição de caridade no final de 2021, o que levou à entrega de 5.000 páginas de documentação.

A decisão foi um golpe duro para os ativistas tanto da Sphere quanto de outras organizações. “É o fim de uma história de mais de uma década”, disse Dilya Gafurova, líder da Sphere ao PinkNews. “Ao longo dos anos, acredito que ajudamos muitas pessoas e nosso trabalho realmente importava. Estamos muito confusos sobre como será nosso futuro e como será o futuro da comunidade LGBT+ russa sem a ajuda que podemos fornecer”. 

As ações do governo fazem parte de investidas contra o ativismo LGBT na Rússia que estão ganhando força nos últimos anos. Qualquer ação contra esse tipo de conduta de Putin é considerada uma ameaça. “Essa vingança contra a comunidade e o movimento LGBT+ começou há muito tempo, mesmo com a aprovação da lei da 'propaganda gay' e a discussão de novos projetos ao longo do ano passado e deste ano”, diz Dilya. Ainda de acordo com ela, grande parte da população adere ao que é dito e divulgado pelo governo, o que torna a luta em prol dos direitos LGBTQIAP+ ainda mais difícil. 

“Quando o governo diz que é possível fazer propaganda das relações LGBT+, as pessoas acreditam nisso e são facilmente levadas a ser uma medida necessária para proteger as crianças. Então é por isso que as pessoas LGBT+ são em grande parte invisíveis e porque nossos problemas estão sendo amordaçados. Isso não apenas os torna invisíveis, mas os torna inimigos do Estado e os demoniza”.

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