Divulgação
"Afronte" é uma das produções disponíveis na TodesPlay, streaming focado em diversidade.

Serviços de streaming como a Netflix e Amazon Prime viram o número de assinantes aumentar exorbitantemente nos últimos anos, principalmente após a pandemia. Com as pessoas sendo obrigadas a passar longos períodos dentro de casa, filmes e séries se tornaram a maior companhia para a maioria. Contudo, por mais que as plataformas tenham conteúdos com representatividade LGBTQIA+, negra e indígena, muitos usuários ainda reclamam que o número de produções não é o suficiente. 

A plataforma TodesPlay foi criada para atender essa demanda. Contemplando filmes, séries e curtas, o streaming oferece produções que abordam temas mais representativos. Além disso, os realizadores são pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+ e de todas as regiões do Brasil. Os gêneros também são variados: animações, infantis, ficção, documentários e filmes experimentais podem ser encontrados. Thais Scabio, cineasta e gestora do serviço, conta que ele surgiu de uma necessidade de narrativas que não apenas contassem as histórias, mas que também fossem feitas pelas pessoas representadas nas telas. 

"Precisamos do nosso próprio espaço de difusão. Queremos nos tornar referência no segmento e revolucionar o mercado de entretenimento. A ideia é expandir a importância da conservação, memória e preservação da narrativa identitária. O que mais vemos, são as nossas histórias sendo contadas por outras pessoas, a Todes mostra que é possível nós mesmos contá-las”, explica. 

A cineasta também destaca como a plataforma é inclusiva para filmes independentes, que encontram vários entraves para serem distribuídos para o grande público. “Com a baixa oportunidade que temos, pois uma produção independente dificilmente consegue chegar nos grandes canais, nos colocamos como um importante espaço de exibição, que além de levar entretenimento e informação, fortalece os realizadores pretos, dividindo a grana da mensalidade com quem produziu o filme”, pontua.

“Temos uma curadoria formada por pessoas pretas. Na TodesPlay, os pretos e pretas podem se ver, não só como atores e atrizes, mas como diretores, roteiristas e fotógrafos. A maioria dos filmes foram feitos por uma equipe formada onde todes são pretos e pretas. Na TodesPlay, você vai encontrar a sensibilidade que nós temos para falar de nossas coisas. Realizadores LGBTQIA+ também vêm em primeiro plano, temos a seção ‘Babadeira’ que é exclusiva sobre o tema. Agora estamos abastecendo com filmes indígenas e buscando produções fora do eixo Rio de Janeiro e São Paulo”, detalha. 

Leia Também

(Continue a leitura logo abaixo)

Leia Também

Em comparação aos gigantes do segmento, vide Netflix e Amazon, Thais explica que a TodesPlay deseja fugir dos padrões costumeiramente vistos na indústria fílmica. Os chamados "blockbusters" são os filmes que arrecadam milhões nas bilheterias dos cinemas.

“Estamos sempre pensando em fazer do streaming um espaço de todes, queremos sair da normalidade onde os filmes comercializados são em sua maioria de homens brancos. Longe das megaproduções, mas com muita qualidade técnica e intelectual, a plataforma é uma alternativa para quem está buscando novos filmes e conhecer um pouco da realidade, que muitas vezes faltam nos blockbusters”, diz. 

A maioria dos filmes e séries disponíveis são brasileiros, mas há também obras de Cuba, Uruguai, Peru, República Dominicana, Senegal e Portugal. “Em breve teremos Colômbia e México. Ainda estamos buscando novos filmes, mas nossas próximas grandes aquisições internacionais, provavelmente serão filmes da Europa negra”, afirma. 

O catálogo é atualizado semanalmente, mas os visitantes da página podem também assistir a festivais e mostras, que acontecem mensalmente. “Em janeiro tivemos o III Mocine, que entre outros, exibiu filmes do Jeferson De, como ‘Doutor Gama’ e ‘M8’. Em fevereiro foi a vez do festival ‘Perifericu’, que exibiu filmes realizados nas periferias por pessoas LGBTQIA+”, destaca. 

A TodesPlay tem 23 produções com temática LGBTQIA+, títulos como “Vó, a senhora é lésbica?”, “Por trás das tintas”, “Afronte”, “Eleguá”, “Ilhas de Calor”, “Mademoseille do Rap”, entre outros. A assinatura do streaming para os primeiros dez meses é de R$ 6,90. 

** Beatriz Neves é estudante de jornalismo. É estagiária de Soft News do iG desde março de 2021 e já escreveu para as editorias Delas, Receitas, Turismo, Gente, Canal do Pet e Queer. É apaixonada por tudo o que envolve livros, cinema e música, principalmente os clássicos.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários