Lorena Muniz foi deixada em uma clínica durante incêndio e não resistiu
Acervo pessoal
Lorena Muniz foi deixada em uma clínica durante incêndio e não resistiu

Em fevereiro de 2021, a recifense Lorena Muniz veio a São Paulo para realizar o sonho de colocar próteses mamárias, um dos  procedimentos de adequação corporal principais para travestis e mulheres trans. Lorena foi deixada sedada na mesa de cirurgia durante um incêndio na clínica, não resistiu e faleceu . Um ano depois, a clínica Saúde Aqui, localizada no centro da capital paulista, continua funcionando normalmente.

Segundo o G1, a equipe ainda oferece cirurgias estéticas pelas redes sociais. Além do caso de Lorena, as clínicas são consideradas irregulares e não são seguras para a realização dos procedimentos disponibilizados.

Seis pessoas receberam acusações de homicídio culposo e omissão de socorro no inquérito que está apurando a morte de Lorena, mas ainda não foram interrogadas. Também não houve julgamentos ou presos. De acordo com o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), a investigação está "respeitando prazoz processuais".

Entre as pessoas denunciadas estão Paulino de Souza, que atua atraindo pacientes de todo o Brasil ao oferecer procedimentos estéticos e cirurgias plásticas de baixo custo. No entanto, o marido de Lorena, afirma que Paulino não tem registro médico.

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Outras pessoas trans vieram a público para denunciar a clínica e foi reforçado que, desde 2019, a Clínica Saúde está envolvida em processos judiciais e não compareceu a inúmeras convocações da prefeitura. O estabelecimento também foi interditado diversas vezes, mas continuou funcionando mesmo assim.

O caso

Informações do Instituto Médico Legal (IML) apontam que Lorena morreu de asfixia quando inalou fumaça tóxica durante o incêndio, motivado por um curto-circuito. Na época, o marido de Lorena, Washington Barbosa, afirmou que o ar condicionado pegou fogo.

"Todos saíram correndo. Ela ficou lá, sedada, inalando fumaça. Chegou a ficar sete minutos inconsciente e isso gerou prejuízo na circulação do oxigênio no cérebro dela. Agora ela não está reagindo", escreveu nas redes sociais.

Lorena chegou a passar cinco dias internada na UTI em estado grave, mas não resistiu. Ela foi resgatada horas depois pelo Corpo de Bombeiros.

** Camila Cetrone é formada em jornalismo. Desde 2020, é repórter do iG e tem experiência em coberturas sobre cultura, entretenimento, saúde, turismo, política, comportamento e diversidade; com ênfase em direitos das mulheres e LGBTQIA+, na qual está inserida como bissexual. É autora do livro-reportagem “Manda as Bicha Descer”, resultado da apuração de um ano na casa de acolhida LGBT Casa 1, no centro de São Paulo. Coleciona livros, vinis e estuda cinema nas horas vagas. Ama contar e ouvir histórias, cantar mal no karaokê e memes autodepreciativos (jura que faz terapia).

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