Marina Sampaio
"Quando saí da casa, encontrei milhões de pessoas me aceitando e me acolhendo da forma como eu sou", lembra Gilberto Nogueira ao iG Queer

A participação do economista Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, no “BBB 21” alçou o participante ao hall de BBBs mais queridos do Brasil. O posto foi alcançado não à toa, já que ele foi um dos grandes responsáveis pelo encaminhamento do jogo na edição passada. Com uma postura de jogo destemida e personalidade única, o economista protagonizou momentos de discórdia, determinação e alegria, o que causou no público boas risadas e inspiração.

Não à toa, o nome de Gil é citado até hoje, em meio à exibição de um “BBB 22” ainda morno, com um elenco que tem cativado o público aos poucos pela visão de jogo pouco inspirada e, principalmente, o medo de se comprometer. Diante desse cenário, os fãs do reality não hesitam em assumir que Gil do Vigor faz falta.

O fascínio pelo “BBB” na vida de Gil é algo que antecede – e muito – sua participação em 2021. Se por um lado alguns participantes atuais não conhecem a dinâmica do programa, o economista sempre amou o reality e conta que, este ano, não poderia deixar de acompanhar o programa.

“Estou por dentro de tudo que está acontecendo no programa”, diz, com exclusividade ao iG Queer. Gil deixa isso bastante claro nas redes sociais, em que recorrentemente viraliza com suas opiniões sobre o jogo e sobre a postura dos participantes.

Para ele, o “BBB 22” tem falta de um pulso mais firme por parte dos brothers e sisters e de um jogo mais movimentado. “Acho que toda edição e cada participante tem sua história. Muitos participantes estão com medo de fazer estratégias, se expressar e realmente se jogar de cabeça no programa. Aquilo é um jogo e estar ali é uma oportunidade única na vida”, afirma o economista.

Gil do Vigor, no entanto, ressalta que essa oportunidade única não deve dar margem a intolerâncias, agressões e violências dentro do jogo. “Claro que não queremos um ambiente tóxico e que ultrapasse os limites, mas o público quer ver pessoas verdadeiras e dispostas a batalhar pelo prêmio”, pondera.

O economista afirma ainda que não declarou torcida específica para nenhum participante até o momento, mas tem se identificado com algumas das histórias contadas nesta edição.

O Brasil “tchakitchakizado”

Três meses foram o suficiente para mudar a vida de Gilberto Nogueira para sempre. Ao entrar no programa no dia 25 de janeiro de 2021, seu principal objetivo era arcar com os custos de sua estadia nos Estados Unidos enquanto realizava seu doutorado, mesmo antes de ser aprovado. Dentro do programa, recebeu o “sim” da Universidade do Texas e da Universidade da Califórnia – onde optou realizar o PhD.

Apesar de todo prestígio, Gilberto confessa que toda essa admiração ainda é algo difícil de acreditar. Gay, nordestino e missionário mórmon no passado, expressava preocupações sobre a forma como estaria sendo visto fora da casa. Em alguns dias, essa percepção era a de que estaria decepcionando familiares e pessoas amadas na vida real.

Por esse motivo, a surpresa foi grande quando percebeu a alta aceitação ao sair do reality. O economista saiu com uma sólida base de fãs, à qual se refere carinhosamente como vigorosos e vigorentos.

“Até hoje, quando eu paro para pensar, isso parece muito surreal. Lá dentro do ‘BBB’, a gente não tem ideia de como o público nos vê. Quando saí da casa, encontrei milhões de pessoas me aceitando e me acolhendo da forma como eu sou”, lembra. “Essa foi uma das melhores sensações que eu já senti na minha vida. Com certeza um dos maiores prêmios que o programa me proporcionou”, celebra Gil do Vigor.

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Em maio de 2021, esse novo entendimento permitiu que Gilberto voltasse para a igreja mórmon. “Já tive muita dificuldade em aceitar quem eu realmente sou, mas sempre acreditei muito em Deus. Isso nunca vai mudar. O amor e bondade Dele são infinitos e Ele conversa comigo independente de quem eu sou ou do que eu faça”, afirma o economista.

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“Hoje eu sei que Deus me ama exatamente assim do meu jeito e eu também me amo. Sem dúvidas, o BBB contribuiu muito para esse processo de aceitação, quero sempre poder passar essa mensagem para todas as pessoas, de que Deus é amor”, acrescenta.

Um futuro vigoroso

Gilberto também saiu da casa mais vigiada do Brasil com um contrato com a Rede Globo (que foi renovado recentemente), o que rendeu a ele participações recorrentes em programas do horário nobre da casa; o “Tá Lascado”, um quadro fixo sobre economia no “Mais Você”; e, posteriormente, o documentário “Gil na Califórnia”, original do Globoplay que repassa a história de vida do pernambucano e aborda sua estadia nos Estados Unidos.

Contradizendo rumores de que teria largado a vida acadêmica e o doutorado nos Estados Unidos, Gil afirma que volta para os Estados Unidos no próximo semestre para continuar o PhD, mas que espera continuar os trabalhos como apresentador e comunicador.

“Amo me comunicar e interagir com o público, então não poderia estar mais grato por todas essas oportunidades. Mas o meu plano é equilibrar a minha vida profissional com a pessoal e com os meus estudos”, pontua.

Para se preparar para a intensidade da rotina, no início do ano Gil se permitiu um descanso para realizar projetos pessoais e aproveitar a família. “Depois que eu saí do BBB, as coisas aconteceram muito rápido e quase não tive tempo para focar na minha própria vida pessoal, mas agora estou tirando um tempo para isso, além de continuar com os meus trabalhos na televisão. Quando eu voltar para o meu PhD, vou focar meus estudos na defesa dos programas de transferência de renda e estou muito animado com isso”.

Se a vida pessoal, profissional e de estudos está movimentada, Gil garante que o coração está tranquilo. Após sair do “BBB”, o economista chegou a reclamar que a fama atrapalha na hora de ir aos finalmente com alguém. A vida pública torna tudo mais corrido e acaba adiando este momento.

“Essas questões do coração levam tempo, mas eu estou muito feliz e tranquilo com a forma como as coisas estão indo. Quando tiver que ser, será”, responde, com tranquilidade.

No ano passado, o economista expressou o desejo de se tornar presidente do Banco Central e se mostrou interessado em contribuir para o cenário econômico, político e social do Brasil. Gil confirma que os planos para fazer isso ativamente estão de pé. “É por meio dos estudos que estou dando os meus passos para conquistar os meus sonhos. Me dedico muito e espero contribuir positivamente para o Brasil de alguma forma”.

A permanência nos Estados Unidos não fizeram com que o economista parasse de prestar atenção no cenário político enfrentado atualmente no Brasil. Gil expressa preocupações em relação ao desmonte de políticas afirmativas que visem a diminuição da desigualdade social, principalmente as voltadas para educação e saúde.

O economista vê o ano de eleição como “uma oportunidade para mudarmos as coisas” e se diz esperançoso. “Eu espero que as pessoas saibam priorizar as pautas importantes da nossa sociedade, como saúde e educação, em vez de se deixarem levar por discursos de ódio. Se os brasileiros voltarem seus olhares para essas questões sociais, já estaremos no rumo para um país melhor. Educação transforma, minha gente”, ressalta Gil.

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** Camila Cetrone é formada em jornalismo. Desde 2020, é repórter do iG e tem experiência em coberturas sobre cultura, entretenimento, saúde, turismo, política, comportamento e diversidade; com ênfase em direitos das mulheres e LGBTQIA+, na qual está inserida como bissexual. É autora do livro-reportagem “Manda as Bicha Descer”, resultado da apuração de um ano na casa de acolhida LGBT Casa 1, no centro de São Paulo. Coleciona livros, vinis e estuda cinema nas horas vagas. Ama contar e ouvir histórias, cantar mal no karaokê e memes autodepreciativos (jura que faz terapia).

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