Publicidades com pessoas LGBTQIA+ ainda estão longe de serem igualitárias
Pexels/ Montagem/iG
Publicidades com pessoas LGBTQIA+ ainda estão longe de serem igualitárias



A terceira edição do estudo anual “Diversidade na Comunicação de Marcas em Redes Sociais”, realizado pela Elife e pela  agência SA365, com o objetivo de averiguar a presença de minorias na publicidade brasileira, aponta que a representatividade LGBTQIA+ caiu 1 ponto percentual em 2020, se comparada ao ano anterior. 

A pesquisa analisou 1902 posts nas redes sociais, incluindo Instagram e Facebook, com 50 marcas feitas pelos 20 principais anunciantes do país entre janeiro e dezembro do ano passado. As imagens foram classificadas quando existia a identificação de pessoas LGBTQIA+, ou quando o contexto deixava clara a presença de relações afetivas entre pessoas dessa população. De todos os posts analisados, a representatividade LGBT estava presente em apenas 3% das imagens publicadas. 

Vale ressaltar também a sazonalidade da presença de pessoas LGBTQIA+ na publicidade, principalmente no Mês do Orgulho e na época natalina, quando as marcas fecham parcerias com influenciadores. De acordo com a pesquisa, em junho de 2020 foram feitas 13 publicações com este tema e em dezembro foram apenas 10. Já em março, por exemplo, não teve nenhuma, e setembro e outubro apresentaram índices baixos (1 e 2 campanhas, respectivamente). 

Breno Soutto, head de insights da SA365 e do grupo Elife, diz que a comunicação deve ser vista também como um espaço de identificação e que “celebrar as pessoas LGBTQIA+ no Mês do Orgulho é fundamental, mas cremos que seja importante ir-se além disso”.

Com base nesses números, vê-se que a população LGBT ainda é sub-representada na área de comunicação. O ano de 2020 teve muitos debates com relação a isso devido à criação da PL N° 504/2020. Esse projeto de lei veda a veiculação no Estado de São Paulo de conteúdos publicitários que contenham alusão a “preferências sexuais” e movimentos sobre diversidade sexual relacionada a crianças. 

Vale ressaltar que a autora do projeto, a deputada Marta Costa (PSD), afirma em sua justificativa que o uso indiscriminado desse tipo de divulgação poderia trazer desconforto emocional a inúmeras famílias, além de “estabelecer prática não adequada” a crianças que não possuem capacidade de discernimento de tais questões. Ela ainda pontua que o projeto de lei apresenta tais restrições a fim de evitar “tanto a possibilidade, quanto a inadequada influência na formação de jovens e crianças”. 

Após muita pressão nas redes sociais, por meio da “#LGBTNãoÉMáInfluência” e “#AbaixoAPL504”, o projeto de lei foi derrubado. A deputada Érica Malunguinho (PSOL) apresentou uma emenda que proíbe a alusão a drogas, sexo e violência explícia relacionada a crianças, ao invés de excluir conteúdos relacionados à diversidade sexual e de gênero. 

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