No Dia Internacional da Dança, a bailarina Makayla Sabino fala sobre sua trajetória
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No Dia Internacional da Dança, a bailarina Makayla Sabino fala sobre sua trajetória


Anitta foi atração principal do Rock in Rio  de 2019, um dos festivais de música mais importantes do mundo, mas a performance da bailarina  transgênero  Makayla Sabino, 21, chamou a atenção do público. A apresentação também ficou marcada como uma conquista importante para sua carreira.

No Dia Internacional da Dança, ela conta que só aprendeu a dançar três anos antes da apresentação. Apesar de ter alcançado esse patamar tão jovem, Sabino afirma que a dança se tornou realidade em sua vida a partir dos 15 anos, pois era proibida pelo pai de dançar na infância.

“Sempre quis fazer balé, mas meu pai não aceitou que eu fizesse coisas relacionadas à arte”, afirma ao iG Queer. Makayla, então, começou a frequentar aulas de teatro e aprender sobre dança afro-brasileira, mais tarde expandindo o universo para o tão sonhado balé e hip hop.





Depois do show no Rock in Rio, a bailarina postou um vídeo nas redes sociais, emocionada. “Acredite nos seus sonhos porque sonhos se realizam de verdade”, diz, em lágrimas. Sabino se tornou bailarina de  Anitta e, posteriormente, garantiu lugar no balé de MC Rebecca . As oportunidades lhe deram visibilidade profissional, mas também se tornou importante para a visibilidade trans.

“Trabalhar com essas artistas acaba impondo um certo respeito porque estamos em um patamar alto e indica qualidade no nosso trabalho. Mas também é de uma importância imensa de representatividade ter pessoas fora do padrão normativo ocupando esse espaço”, explica.


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Desde que aprendeu a dançar e decidiu fazer disso sua profissão, Makayla afirma que foi muito inspirada pelas danças do movimento ballroom (ou cultura de baile e ainda ball culture), conhecido como um dos grandes símbolos de resistência LGBTQIA+ .

O ballroom surgiu nos anos 1980 em Nova York, nos Estados Unidos, como ponto de encontro para que a comunidade pudesse se sentir segura, buscar ajuda e trocar afeto. Foi no ballroom ainda que começou a se enraizar cada vez mais a cultura drag, já que permitia performances artísticas e culturais através das competições de dança.

“O ballroom foi de extrema importância na minha vida e me formou como mulher, como humana, como artista. Foi quando eu vi que estava tudo bem em ser diferente”, diz.

Amor e ódio


Sabino afirma que a sua relação com a dança é de amor e ódio. Apesar de amar o que faz, ela se diz muito perfeccionista. Mesmo nos momentos difíceis, a dança é o que a faz viver.

“Me pego pensando nos momentos em que não estou dançando e é onde eu me sinto mais triste e vazia. A dança preenche a minha alma. A partir do momento que me levanto da cama até a hora em que vou deitar, estou dançando”, afirma.

Para além da expressão artística que tanto a fascina, ela diz ser inegável que a dança também possua um papel de resistência. “Todo tipo de arte é uma forma de resistir. É dançar que me dá força também para resistir. Sinto que sou um corpo militante por meio dela”, explica.

Essa necessidade de resistir não é nova para pessoas trans e não foi embora depois de Sabino se tornar conhecida. Apesar de ser uma bailarina bem sucedida, ela ainda enfrenta transfobia . No último mês, ela, junto de sua mãe e irmãos, foi expulsa pelo senhorio da casa em que viviam, no Rio de Janeiro. A artista postou um vídeo em suas redes sociais em que foi ameaçada pelo homem, que recusou a chamá-la pelos pronomes “ela” e “dela”.


Situações similares a esta foram encontradas em sua trajetória na dança. “Eu nunca lidei com esse tipo de coisa de uma maneira ‘normal’. Sempre corri atrás do meu direito de respeito, questionei, levantei pauta, corri atrás de justiça e corrigi a pessoa”, afirma. “Nunca abaixei a cabeça para nenhum tipo de preconceito, seja perante um trabalho ou à minha condição física”, acrescenta.

Por esse motivo, Sabino quer ver cada vez mais pessoas trans e travestis ocupando espaços grandes e representando suas comunidades. “Tem muitas pessoas que ainda acham que nós não somos normais. Para mim, elas é quem são anormais. Para mudar isso precisamos estar presentes”, diz.

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