Leandrinha DuArt
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Leandrinha DuArt









Leandrinha DuArt é  ativista pelos direitos das pessoas trans e com deficiência.  Ela tem 25 anos e começou a ganhar destaque nas redes sociais em 2017, quando passou a publicar sua rotina e falar sobre a própria  sexualidade


Leandrinha nasceu em Passos, no interior de Minas Gerais, com Síndrome de Larsen, uma rara desordem de origem genética que afeta os desenvolvimentos dos ossos da criança dentro do útero da mãe. 



Escondida


“A síndrome causa malformações ósseas. Então, algumas pessoas usam cadeiras; outras, não”, explica. A relação com o corpo sempre era um problema, ela conta, já que se sentia diferente e não tinha referências de outras mulheres com deficiência. “Foi um período ruim, pois eu olhava para os lados e não via corpos com os quais eu pudesse me identificar.”

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A influenciadora passou a se esconder. Mas, hoje, ela sabe que essa atitude foi muito influenciada pelo capacitismo -- quando pessoas com deficiência são subestimadas por causa de suas características. “Quando subestimam e tiram o valor do corpo com deficiência, é uma violência. Algumas pessoas insistem em nos colocar como seres inferiores e incapazes”, diz. 

Leandrinha DuArt
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Sexualidade 


Vinda de uma família religiosa, Leandrinha sempre frequentou a igreja. Aos 17 anos, ela decidiu romper com a religião, pois considerava que os conceitos passados naquele ambiente eram machistas. Leandrinha, que é mulher trans, havia percebido que sentia atração por homens e queria descobrir mais sobre sua sexualidade.


“Descobri minha sexualidade e rompi com a igreja porque ela não passava os ideais nos quais eu acreditava. E me libertar das amarras morais da igreja foi algo mais fácil por eu já estar satisfeita com o meu processo corporal e com minha sexualidade. Não precisava da igreja para me sentir completa”, explica. 

Leandrinha usa as redes para falar de sexualidade por acreditar que é fundamental acabar com a  ideia equivocada de que pessoas com deficiência não podem ter uma vida sexual. 

“Sou conhecida por compartilhar minhas experiências sexuais, isso traz um empoderamento do corpo. Eu tenho um corpo deficiente, sim, mas é um corpo bonito e gostoso, que pode dar e receber prazer. Este discurso dá força a outras pessoas enxergarem a beleza no próprio corpo.”


Por conta de uma mulher trans e cadeirante falar abertamente de assuntos relacionados a sexo, Leandrinha conta que sofre ameaças. “Uma vez que você se propõe a nadar contra a corrente, você está sujeita a críticas. E elas vêm com muito ódio. O ódio anda ao meu lado, mas eu tenho que aprender a conviver com ele, e não deixr que ele me consuma. Eu não posso parar meu trabalho. Para as mulheres, esse discurso é considerado privado, para as mulheres trans e os PCD também. Por isso é algo que incomoda.” 



A exclusão dentro da exclusão 


Leandrinha brinca que se não é para aprofundar temas voltados para a comunidade de pessoas com deficiência, ela nem sai de casa. “Se eu tiver a oportunidade de ser essa referência, eu vou ser.” 

Ela sabe que o movimento teve muito avanços até agora, mas acredita que as próprias pessoas com deficiência, às vezes, também oprimem.

"Se há PCD branca, cis, hétero, eu ainda preciso conversar sobre opressões que existem no próprio movimento. Dentro da diversidade há muita pluralidade. Há exclusão dentro da exclusão: das pessoas trans, negras ou com deficiências mais visíveis. As campanhas que se dizem inclusivas, por exemplo, só contratam pessoas com deficiências que não agridem os olhos, uma deficiência passável. Por isso eu ainda tenho muito a dizer."

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