Ações voltadas para a população LGBT+ deve incluir oportunidades de renda
Sharon McCutcheon/Pixabay
Ações voltadas para a população LGBT+ deve incluir oportunidades de renda

Junho, o mês do orgulho LGBTQIAP+. Comemorado internacionalmente no dia 28, o período é marcado por ações ao redor do mundo que pedem mais direitos para a nossa população.  

No Brasil, mesmo com um cenário nada positivo, o mês é marcado por manifestações de apoio à causa. Cada vez mais empresas, políticos e personalidades fazem ações ou postam em suas redes sociais as bandeiras do movimento LGBT+. 

Em um país em que o presidente é declaradamente LGBTfóbico, e ainda possui apoio de boa parte da população, toda ajuda é sempre bem-vinda, mas não basta, infelizmente. 

A nossa população é formada por pessoas que compram, votam e, na era digital, se tornam números nas redes sociais. O apoio à nossa causa não sai de graça, logo deve ser mais bem cobrado. 

E como? Vamos primeiro à realidade: 

- O número de assassinatos de pessoas LGBTs teve um aumento de 8% no último levantamento divulgado pelo Grupo Gay da Bahia. Foram 300 pessoas mortas de forma violenta em 2021. 

- Estima-se que 90% da população trans no Brasil tem a prostituição como fonte de renda e única possibilidade de subsistência. Os dados são da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e mostram ainda que, em média, pessoas desse grupo são expulsas de casa pelos pais aos 13 anos.

- Partidos políticos investiram nas últimas eleições menos de 2% do teto em candidaturas LGBTs. Esse número foi pelo instituto #VoteLGBT. 

O Brasil precisa urgente de políticas públicas que revertam esse cenário exposto acima. Já discutimos aqui nesta coluna que preconceito não se combate com prisão e sim com educação , mas mais urgente que isso é o Estado garantir que pessoas LGBTs tenham acesso à educação, saúde, direitos e, principalmente, a renda. Isso só será garantido com projetos que saiam do papel, indo além da representatividade.

Do que adianta termos um governador declaradamente gay se ações para a comunidade não foram um dos focos do seu governo? Nada. Então não se deixem iludir pela falsa ideia de que termos um representante basta. Precisamos de ações.

Além da política, as empresas privadas também precisam tirar o apoio do papel e colocar em prática operações para garantir acesso a pessoas LGBTs. Como resposta ao nosso consumo, cabe iniciativas que treinem e coloquem os nossos no mercado de trabalho, principalmente os que foram jogados para fora de suas casas e/ou que vivem em situação de vulnerabilidade. Oportunidade é que a nossa população mais precisa.

Em ano de eleição, vamos aproveitar o mês para cobrar mais direitos aos LGBTs, que tanto padecem de acesso. Além de tirar Bolsonaro, precisamos eleger políticos no legislativo que estejam, de fato, compromissados com a causa e farão projetos saírem do papel.  

Enquanto um morre, todos nós morremos. Enquanto um está na rua, nenhum de nós pode dormir em paz. A pauta LGBT+ é urgente, mas o apoio que precisamos vai além de posts e discurso. Um mês do orgulho de muita luta para todos nós.

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