Gabriel Santana falou que é bissexual logo no primeiro dia de confinamento do 'BBB 23'
João Cotta/TV Globo
Gabriel Santana falou que é bissexual logo no primeiro dia de confinamento do 'BBB 23'

Descobrir a sua própria sexualidade não é um momento fácil para boa parte da comunidade  LGBTQIAPN+ , mas Gabriel Santana sempre encarou tudo com muita naturalidade. Em entrevista exclusiva ao iG Queer , o ator conta que para ele qualquer tipo de sexualidade – seja hétero, gay ou  bissexual – era muito natural. O artista se entendia exclusivamente como heterossexual até completar 19 anos, quando foi curtir uma festa com um amigo e, entre um drink e outro, começou a refletir sobre o que lhe impedia de beijar um homem.

“Tudo sempre na minha vida vai acontecendo sem querer, tanto profissionalmente quanto na vida pessoal”, introduz. “A gente estava bebendo e me bateu a curiosidade de beijá-lo. Percebi que ele era bonito e pensei ‘por que eu não beijaria ele agora?’ Nos beijamos e, no dia seguinte, comentamos sobre isso e falei que foi maneiro. Fui me desconstruindo sem querer e não sentia nenhuma atração antes, mas no dia que isso aconteceu, quando senti a vontade de beijar um cara, eu fiz isso”, destaca.

Gabriel descobriu sua sexualidade de uma maneira muito descomplicada, assim como deveria ser para a maioria das pessoas. Até aquele momento, ele havia namorado apenas uma mulher, a influenciadora Nicole Tulcheski, quando tinha apenas 17 anos e, depois disso, abriu oportunidade para conhecer pessoas de todos os tipos, independentemente do gênero dela. O ator afirma que a bissexualidade é muito mais ampla do gostar igualmente de meninos ou meninas, então para ele é uma questão de momentos. Questionado sobre a possibilidade de namorar um homem futuramente, ele não descarta a chance.

“Eu já tive momentos que me atraí mais por homens e outros por mulher. Tenho um amigo hétero que diz sempre ‘estou hétero’. Eu ‘estou bissexual e neste momento tenho sentido mais atração por meninas’, mas isso não significa que não teria um relacionamento ou que nunca transei, ou que nunca mais vou transar com homem”, adverte. “Já me apaixonei por meninos, por mais que nunca tenha tido um relacionamento, e está tudo certo. Neste momento ‘estou bissexual e me atraindo mais por meninas’. Já me apaixonei e transei com homens e mulheres e está tudo certo”, pontua.

O artista não estava planejando falar abertamente sobre sua sexualidade logo no primeiro dia de confinamento no “Big Brother Brasil 23” , mas já havia conversado sobre esse assunto com sua equipe para entender quais seriam os possíveis efeitos dessa declaração em rede nacional. A equipe, por sua vez, deu apoio e se preparou para assumir as consequências fora da casa, o que deu mais força e coragem para Gabriel.

“Eu nunca fiz questão de esconder minha sexualidade. Não é que eu estava no armário, mas é muito mais bonito, na minha concepção, quando as pessoas percebem a sua sexualidade. Esse lugar de ter de ‘se assumir’ ou ‘sair do armário’  está um pouco ultrapassado para mim. Dentro do meu contexto, claro, de uma família e amigos que sempre me apoiaram. Para mim sempre foi algo muito natural. Esse lugar de se assumir é, muitas vezes, muito conturbado, difícil. No meu caso, eu sempre achei natural então nunca fiz essa questão de levantar a bandeira”, declara.

“Quando eu entrei no BBB, comecei a ver as pessoas se apresentando e falei ‘cara, mas isso é tão íntimo meu, tão o que sou, como eu vou me apresentar e não vou falar dessa parcela de mim?’ Na hora eu senti que estaria deixando de lado uma parte do que o Gabriel se não fizesse isso e decidi falar na hora. Não quis dizer apenas ‘sou bissexual’, mas optei por ‘meninos, estou disponível e meninas também’ para tornar algo o mais natural possível.”

Relações familiares

A primeira pessoa da família que soube sobre a sexualidade de Gabriel foi a mãe, Marisa de Oliveira Cordeiro, e o ator justifica que tomou essa decisão para que o assunto não chegasse de forma distorcida aos ouvidos de seus pais. Na época, mesmo tratando tudo de forma simplificada, ele confessa que ficou muito nervoso e preocupado com a reação dela. Um dia, chegou em casa, chamou a mãe para uma conversa e não conseguiu esconder o nervosismo estampado no rosto.

“Comecei a dizer ‘quero te falar que beijo meninos e meninas, gosto de pessoas e não me rotulo a gêneros’. Na hora ela respondeu ‘Gabe, óbvio que eu tenho medo por conta de como a sociedade é, como vão te tratar, como as coisas vão ser, mas lá dentro eu já sabia e não é uma surpresa’. Mãe é foda, sabe de tudo. Ela foi entendendo, fez parte do processo dela, talvez eu tenha sido a primeira pessoa da minha família que se assumiu (ao menos até onde eu sei), então sempre a primeira vez é mais complicada”, comenta.

A partir daí, ele ficou mais tranquilo e se sentiu mais seguro para falar com a única irmã, Carol Santana. Gabriel relembra que foi desconstruindo junto com a minha família alguns tabus e formas de pensar equivocadas que estavam ultrapassadas, quebrando os preconceitos e machismos que ainda existiam dentro da família.

“É um processo que nunca acaba, 24 horas por dia. Fui caminhando junto com minha família", salienta. "Depois fui falar com minha irmã, também estava nervoso e quando falei ‘Carol, eu sou bi, gosto de meninos e meninas’, ela respondeu ‘Gabriel, sério que você está nervoso por isso? Você pega quem você quiser... vai para a vida’. Ela tratou tudo de maneira muito mais natural do que eu. Foi lindo. Eu amo muito a minha irmã”, se declara.

Já a conversa com o pai, Paulo Alberto de Santana, Gabriel tinha certeza que seria mais tranquila. Ele ressalta que suas características que ficaram famosas no ‘BBB 23’, como ser centrado e consciente, foram heranças dele. O ator destaca que o genitor já errou muito na vida, mas também está em busca de uma constante evolução.

“Eu acho o meu pai uma pessoa muito espiritualizada”, começa. “Quando eu falei, ele respondeu ‘eu já sabia. Tem coisas que não precisam serem ditas’. Depois que eu contei tudo virou mais fácil e natural. Eles sabiam o filho que tinham criado e só estavam esperando o dia que eu chegaria para falar. Por mais que eu soubesse que são pessoas incríveis, a gente está ligado que esse lugar assusta, que a sociedade muitas vezes não está preparada para isso. Dá um medo muito grande de decepcionar as pessoas que a gente ama. Se eu conto para eles e eles não aceitam bem, daria um grande impacto porque são as pessoas que eu mais amo na vida. Claro que dá um medo”, confessa.

O ator diz que desde que saiu do principal reality show da TV Globo muitas pessoas lhe pedem conselhos sobre se assumir ou não. Gabriel prefere não opinar nesse sentido porque cada um tem um processo muito particular e o relacionamento entre pais e filhos é diferente em cada ambiente familiar. Já para os homens heterossexuais que sentem vontade ou, minimamente, curiosidade de beijar um homem e não o fazem com medo do que “as pessoas vão dizer” ou por puro machismo, ele tem um conselho:

“Se você tem essa vontade ou não consegue ser quem é, tem medo de expressar isso, procure pessoas novas, com todo carinho do mundo. Me refiro mais aos ciclos de amizade porque família não tem como mudar. Se não fossem meus amigos héteros, gays e bis, que estavam do meu lado e nunca fizeram questão de me rotular, seria mais difícil. Em algum lugar da minha cabeça me preocupava, imagina ‘e se eu tivesse com pessoas machistas e homofóbicas?’ Então se afaste dessas pessoas porque assim o mundo será mais fácil. Você precisa ter confiança nas pessoas para conseguir expressar quem você é.”

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