Ainda não é o momento de voltar às baladas
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Ainda não é o momento de voltar às baladas


Com o avanço da vacinação e a flexibilização dos estabelecimentos em receber o público novamente, muitas pessoas estão voltando a frequentar eventos, restaurantes, bares e principalmente baladas. Muito embora a pandemia ainda esteja vigente e os cuidados continuem sendo defendidos pelos especialistas da área da saúde, a volta do público para atividades de lazer é uma realidade que vem crescendo aos poucos.

Gabriel Lira da Silva, pansexual, já frequentou uma balada após tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19. De acordo com ele, o próprio ainda não se sentiu totalmente seguro em estar naquele ambiente, mas foi perdendo o receio aos poucos. Ele conta ainda que o local estava cheio, sem um controle adequado do número de pessoas ali dentro e nem todas usavam máscaras também. 

“Tomei a segunda dose por volta do dia 7 de outubro, e ainda fui bem com o pé atrás. Só comecei a perder o receio no decorrer do evento, o lugar estava cheio e não tinha muito afinco com o uso da máscara. Ainda acho que foi mais rápido do que deveria [a retomada das baladas]”, explica. 

Para a infectologista Dania Abdel Rahman, do Hospital Albert Sabin de São Paulo, ainda não é o momento de frequentar bares e baladas, nem mesmo quem tem todas as doses da vacina em dia. Ela ressalta que mesmo quem é vacinado ainda pode transmitir o coronavírus, além do fato de que os estabelecimentos precisam se manter firmes nas normas sanitárias de prevenção, algo que, no exemplo dado por Gabriel, não estava ocorrendo de modo efetivo. 

“Ainda não temos a segurança de frequentar locais de aglomeração mesmo com as duas doses, até porque infelizmente uma grande parte da população ainda não se vacinou”, pontua. “Os estabelecimentos precisam seguir o protocolo básico de higiene e evitar aglomerações, então: oferecer álcool em gel para as pessoas higienizarem as mãos e exigir o uso de máscaras. Alguns estados já estão fazendo a isenção do uso de máscaras, mas em São Paulo ainda é obrigatório. Do ponto de vista médico, nós, infectologistas, recomendamos que o uso não seja suspenso. Ainda existem vírus circulando e a porcentagem de população vacinada está baixa. Países que suspenderam a máscara precocemente voltaram atrás porque tiveram um aumento no número de casos, então o ideal é que os locais sejam arejados, que mantenham as janelas abertas e possibilitem que as pessoas fiquem a pelo menos dois metros de distância uma das outras”, instrui. 

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Sobre a ida da população a festas e baladas e a falta de cuidado, a infectologista diz que isso varia bastante, pois desde o início da pandemia os comportamentos com relação aos cuidados e prevenções foram diversos, indo desde os que tomavam todas as precauções até aqueles que apresentavam uma abordagem negligente à doença. 

“Ao mesmo tempo em que existem pessoas muito receosas, mesmo vacinadas, outras não tomavam cuidado nem no auge da pandemia. Ainda vai demorar muito tempo para voltarmos ao normal e nos relacionarmos com outras pessoas sem receio algum, mas o recomendado é que todos continuem sendo cautelosos”, esclarece. 

No que diz respeito a beijar outras pessoas na balada, por exemplo, Gabriel explica que não se sente totalmente seguro para fazer isso, mas tenta não manter essa questão em mente o tempo todo. Para se certificar de que todos os seus cuidados estão gerando resultados, ele realiza testes periodicamente. 

“Tento, na maioria das vezes, não ficar 100% com isso na cabeça, mas de resto faço o possível para manter o cuidado pessoal e realizo testes sempre que posso para ter uma noção melhor de como estão as tentativas de cuidado”, explica. 

Dania Abdel Rahman ressalta que o beijo pode sim intensificar as chances de transmissão do vírus da Covid-19, logo o ideal é evitar esse tipo de comportamento, independentemente de estar ou não totalmente imunizado.

“Quanto a beijar um desconhecido, não é seguro. Não sabemos se aquela pessoa possui o vírus ou não, porque ela pode pegá-lo com ou sem vacina, a diferença é que, vacinada, a pessoa dificilmente será hospitalizada ou chegará a óbito. Em todo caso, é possível transmitir a Covid pelo beijo. Admitindo-se que a pessoa em questão seja portadora do vírus, ter um contato próximo, mesmo sem envolvimento de saliva e mucosa, só de estar a menos de dois metros sem máscara, a possibilidade de transmissão é grande”, conclui.

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