Carlos Bolsonaro
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Carlos Bolsonaro

A vereadora Monica Benício (PSOL), viúva de Marielle Franco, registrou ocorrência, nesta sexta, na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), para apuração de ataques de LGBTfobia que ela vem sofrendo na internet.

As ofensas foram proferidas pela usuária Rosiane N. Sol, que já foi marcada, em dezenas de postagens no Facebook, pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), adversário político de Monica. A vereadora anexou as printagens na peça encaminhada à delegacia.

Os ataques foram proferidos nos comentários das transmissões da TV Câmara no Youtube, durante discursos da vereadora nos dias 30 de junho e 5 de agosto, em que falou, respectivamente, sobre a aprovação das medalhas para seu correligionário Guilherme Boulos e para a ex-deputada Manuela D’Ávila, e em homenagem ao agosto lésbico.

A usuária Rosiane N. Sol, que usa o mesmo nome e foto de perfil nas suas páginas do Instagram, Facebook , Youtube e Twitter (esta a única com outra foto), usou um padrão para ofender Monica nas transmissões, se referindo a ela com um emoji de um sapato — referência preconceituosa a "sapatão" — e com a palavra "vereador", e não vereadora.

"Que vergonha do vereador (emoji de sapato) "; "Vereador (emoji de sapato) respeito ao menino e a família" são alguns dos exemplos. De acordo com a denúncia de Monica Benício, as postagens "configuram LGBTFOBIA, especificamente, lesbofobia, considerando que a Vereadora Monica Benicio é assumidamente lésbica" e que "os referidos ataques lesbofóbicos não negam apenas a dignidade da Vereadora, mas de todas as mulheres lésbicas.

Não se trata de conduta isolada, mas reiterada, que alimenta a lesbofobia estrutural, responsável pelas diversas violências (física, sexual, psicológica e moral) perpetradas contra as mulheres lésbicas".

Após deixar a delegacia, a vereadora explicou que as investigações mostrarão a origem do perfil, se é ou não um fake, e quem seria o responsável pela injúria. Ela destacou que agosto é o mês do orgulho lésbico, o que torna ainda mais simbólico o episódio.

"É inaceitável e inadmissível. Resolvemos prestar essa queixa porque vivemos numa sociedade em que não se deve mais tolerar a intolerância", afirmou a parlamentar, cujo gabinete identificou facilmente as interações do perfil com Carlos Bolsonaro. "O que é muito ultrajante, o que indigna, é que haja esse perfil de caráter lesbofóbico em diálogo com um vereador da casa. Ele sendo filho ou não do presidente, é um vereador como eu dentro da Casa", disse.

Cinquenta interações com Carlos Bolsonaro

O perfil Rosiane N. Sol já foi marcado pelo vereador Carlos Bolsonaro em algumas postagens feitas por ele no facebook. Na ocorrência, a vereadora anexou cinco exemplos dessa interação.

O GLOBO identificou 50 interações ao pesquisar a página de Carlos Bolsonaro na rede social. Nas postagens, Rosiane era marcada, junta a outros internautas, o que faz a publicação constar como "Carlos Bolsonaro está com Rosiane N. Sol e outras x pessoas". As postagens costumam ser relacionadas ao presidente Jair Bolsonaro, notícias, fotos ou prints feitos por Carlos.

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Na sua página, Rosiane só publica notícias e comentários relacionados à família Bolsonaro, especialmente publicações de acontecimentos políticos. No Intagram, o perfil é bloqueado.

Mas no facebook e twitter as postagens são públicas. O nome registrado nas páginas é de Maria Rosiane, mas não há nenhuma foto própria, além de imagens de Carlos Bolsonaro. Na descrição do perfil, está escrito "POR TI MEU CB 2026 SUCESSÃO DA PRESIDÊNCIA CARLOS BOLSONARO RUMO AO PRIMEIRO MUNDO".

A vereadora, então, escreveu na denúncia: "Causa-me espécie que tais ataques lesbofóbicos tenham o amparo de um agente político. Evidente, portanto, a necessidade de investigação para a responsabilização cível e criminal da Sra. Rosiane, ou a pessoa que está se valendo deste nome fictício, bem como da sua vinculação com o Vereador Carlos Bolsonaro".

Procurada, a Assessoria do Vereador Carlos Bolsonaro informou que "ele, por não ter nada com o assunto , não iria se manifestar". Até o momento, a Câmara dos Vereadores também não se manifestou sobre o ocorrido.

Histórico de rusgas

Adversários políticos, Carlos Bolsonaro e Monica Benício convivem com relação de discussões e brigas públicas na Câmara Municipal. Durante a posse de seus mandatos, em janeiro, os dois não se cumprimentaram, por exemplo. Em postagens na internet, não é raro Carlos Bolsonaro provocar parlamentares do PSOL e a vereadora Monica Benício, que era mulher da vereadora assassinada Marielle Franco, também desafeto da família Bolsonaro.

Em março, Monica divulgou que havia sido bloqueada por Carlos no twitter. No dia da votação para cassação de Dr Jairinho, houve um bate-boca entre os dois, e o vereador Tarcisio Motta, após Monica chamar o presidente Bolsonaro de "genocida".

Monica diz que os embates, além do ambiente virtual, costumam ser restritos ao plenário da Câmara. "Na Câmara, os embates são no plenário, públicos, nunca houve nada além disso. Até porque ele tem pouca atividade na casa", disse. 

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