64% das pessoas LGBTQ são alvos de assédio e discurso de ódio em suas redes sociais, diz pesquisa
Igor Shimabukuro
64% das pessoas LGBTQ são alvos de assédio e discurso de ódio em suas redes sociais, diz pesquisa

Apesar de benefícios como fluxo ilimitado de conteúdos informativos e a possibilidade de conectar-se com pessoas de qualquer lugar do mundo, a internet é um ambiente repleto de assédios e discursos de ódio. No entanto, o meio é ainda mais hostil para indivíduos LGBTQ, de acordo com um novo relatório da GLAAD.

Segundo o estudo da organização americana não governamental que luta pela aceitação de pessoas LGBTQ, 64% de lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis, transexuais e queers sofrem com assédios e discursos de ódio em suas redes sociais. A taxa, inclusive, é muito maior do que a reportada por outros grupos de identidade.

Entre as pessoas LGBTQ que relataram sofrer assédio online, 75% afiramaram que as ocorrências foram registradas no Facebook. Também foram contabilizados os casos no Twitter (24%), Instagram (24%), YouTube (21%) e TikTok (9%).

O alto índice de ataques contra pessoas LGBTQ pode ser explicado, em parte, pela taxa recorde de violência física contra transgêneros e pessoas não binárias (que não se identificam com os gêneros padronizados pela sociedade) registrada desde que a Campanha de Direitos Humanos passou a rastrear os fenômenos, em 2013.

Só em 2020, o grupo americano relatou que pelo menos 44 transgêneros ou pessoas não binárias foram mortas a tiros ou por outros meios violentos. A maioria das vítimas eram mulheres transexuais negras e latinas.

Além de os casos de assédio e discursos de ódio online contra pessoas LGBTQ serem nocivos por si só, eles podem desencadear consequências inimagináveis na vida real.

“Acho que existem linhas diretas para, infelizmente, suicídios de nossa comunidade”, afirmou Sarah Kate Ellis, presidente e CEO da GLAAD.

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Ilustração de um teclado formando a palavra "hate" ("ódio", traduzido para o português)
Discursos de ódio contra grupos LGBTQ podem ocasionar atos de suicídio. Foto: Lukasz Stefanski/Shutterstock

Medidas de combate

O relatório da GLAAD apontou ainda mudanças consideráveis feitas pelas redes sociais que auxiliam a comunidade LGBTQ. Em março, o Facebook anunciou que seus usuários poderão controlar quem comenta em suas publicações. A medida, de acordo com a empresa de Mark Zuckerberg, limita “interações potencialmente indesejadas”.

O Twitter, por sua vez, lançou na semana passada um recurso que detecta automaticamente respostas “maldosas” em sua plataforma. Ao identificar alguma publicação do gênero, o prompt da rede social pergunta “Quer revisar isso antes de tuitar?”.

Embora as medidas mencionadas no relatório ajudem a combater os ataques contra a comunidade LGBTQ, a GLAAD acredita que as redes sociais podem adotar ações ainda mais eficazes, incluindo maior proteção dos usuários LGBTQ nas diretrizes da comunidade, otimização da moderação de conteúdo, redução do viés algorítmico, bem como aumento na contratação, inclusão e liderança LGBTQ nessas empresas.

Fonte: NPR

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