Em 2021 completou 10 anos desde que o STF reconheceu a união entre casais homoafetivos
Julie Rose/Pixabay
Em 2021 completou 10 anos desde que o STF reconheceu a união entre casais homoafetivos

Brasília foi palco de uma das maiores manifestações pelo meio ambiente já realizadas no Brasil. No início deste mês, em frente ao Congresso Nacional, o cantor Caetano Veloso reuniu grandes nomes da música, do teatro, da televisão e de movimentos sociais para gritar por leis que protejam as florestas brasileiras e os povos indígenas.

O evento não foi comentado pelo Palácio do Planalto, mas surtiu efeito no outro lado da praça dos três poderes, dentro do Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte, o ministro Luiz Fux pautou para esta quarta-feira 30 um mega julgamento em que o plenário vai analisar sete ações que buscam garantir mais proteção ambiental no país.

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Essa sessão histórica chega em um momento que o governo de Jair Bolsonaro, com o apoio de boa parte do Congresso, tenta passar a boiada com um projeto destruidor, que, entre vários pontos polêmicos, quer autorizar a mineração em terras indígenas, aumentando ainda mais o desmatamento de nossas florestas e o genocídio dos povos originários.

E você sabe o que esse julgamento tem a ver com você, pessoa LGBTQIA+?

Vamos lá

As temperaturas mundiais estão subindo por causa da atividade humana, e as mudanças climáticas agora ameaçam todos os aspectos da vida no planeta terra.

Segundo dados da Universidade de Berkeley, na Califórnia, o planeta está cerca de 1,2°C mais quente do que no século 19, e a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou em 50%.

Os cientistas acreditam que se nada for feito, o aquecimento global pode ultrapassar os 4ºC em breve, levando a ondas de calor devastadoras. Com isso, milhões de pessoas podem perder suas casas devido à elevação do nível do mar e perda irreversível de espécies vegetais e animais.

Ou seja, todas as pessoas que vivem no planeta terra serão afetadas pela mudança climática causada pela destruição do meio ambiente, mas a maior parte dos riscos recai sobre as populações vulneráveis, especificamente os grupos marginalizados - que inclui a comunidade LGBTQIA+.

Em São Paulo, maior cidade do país, estima-se que 24.344 pessoas vivem em situação de rua. Deste número, cerca de 10,9% são pertencentes à sigla LGBTQI+.

Os dados foram obtidos pelo último Censo da População em Situação de Rua, realizado em 2019 pela prefeitura da capital. Com a pandemia, estima-se que esse número teve um grande aumento.

Analisando a sigla T, esse número é ainda mais assustador. Segundo levantamento feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% das travestis e transexuais no Brasil vivem da prostituição nas ruas, única opção de trabalho encontrada por este grupo tão marginalizado em nosso país.

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E essa não é a realidade apenas no Brasil. De acordo com um estudo de 2015 conduzido pelo Williams Institute, 40% dos jovens em situação de rua nos Estados Unidos se consideram LGBTQIA+.

Ou seja, a falta de moradia e acesso às políticas públicas tornam essa comunidade mais suscetível aos impactos das mudanças climáticas.

E não é só na moradia.

Segundo o advogado especialista em litigância climática, professor de direito e doutorando na USP, Gabriel Mantelli, a discriminação arraigada e sistêmica pode levar a impactos diferenciados por identidade de gênero, orientação sexual e expressão de gênero na saúde, segurança alimentar, meios de subsistência e mobilidade humana, entre outras coisas.

" Nós, enquanto população LGBTQIA+, estamos sujeitos a formas intersetoriais de discriminação que podem aumentar ainda mais nossa vulnerabilidade às mudanças climáticas. Sabemos que a exclusão das pessoas LGBTQIA+ da agenda institucional e da governança climática limita nossa atuação política sobre o tema eficácia. Isso é ainda mais grave no caso das mulheres da população T, que correm o risco de violência de gênero, o que pode se agravar, por exemplo, após um desastre nacional vinculado às mudanças climáticas. As políticas e programas devem, portanto, abordar os fatores de risco existentes e novos para as múltiplas violências contra pessoas LGBTQIA+ no contexto da redução do risco de desastres e mudanças climáticas " explica Gabriel.

A violência na prática

Essa violência em desastres descrita por Gabriel já aconteceu na nossa história. Segundo a plataforma educacional Empodera Clima, durante o furacão Katrina em 2005, pessoas trans enfrentaram discriminação em abrigos de emergência e algumas foram até mesmo rejeitadas nos estados americanos de Mississippi e Louisiana.

Já durante o terremoto haitiano de 2010, pessoas e famílias LGBTQIA + ficaram vulneráveis em abrigos e lésbicas, mulheres bissexuais, transgêneros e intersexuais foram sujeitas à violência de gênero e ao “estupro corretivo”.

Todos esses fatos mostram que a luta ambiental deve ser prioridade dentro do movimento LGBT. A destruição do nosso planeta vai intensificar ainda mais a vulnerabilidade das pessoas desta sigla, que são mortas todos os dias no nosso país e no mundo.

Você pode ser um LGBT que não vive em um cenário de vulnerabilidade, mas enquanto os direitos não forem iguais para todos, essa violência um dia pode chegar até você.

Por isso, apoie movimentos que lutam pelo meio ambiente; vote em candidatos que têm a pauta ambiental como prioridade; questione seus hábitos; diminua ou pare de consumir carne; saiba de onde vem sua comida, sua roupa, seu consumo. Ou nos unimos para salvar o planeta e a nossa comunidade, ou essa conta uma hora vai chegar.


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