Fenômeno de Lorena e Juquinha vira documentário após sucesso em
@s_santoian /Reprodução TV Globo
Fenômeno de Lorena e Juquinha vira documentário após sucesso em "Três Graças"

O fenômeno de Lorena e Juquinha, casal que conquistou o público em  "Três Graças" e ampliou sua história para além da novela das nove da Globo, agora é tema de um documentário independente. "Loquinha: Amor que vira memória" estreou na última quinta-feira (24), no canal de Ana Boeckel no YouTube.

Com roteiro e direção de Ana Boeckel e montagem de Beatriz Vecchi, o documentário parte da repercussão alcançada por Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky) para registrar a relação construída entre as personagens e o público. O projeto reúne 15 mulheres de diferentes lugares e entrelaça seus depoimentos à trajetória do casal, observando como uma história exibida na televisão conseguiu atravessar experiências pessoais e permanecer viva mesmo após o fim de Três Graças, em maio deste ano.

A ideia de transformar essa repercussão em documentário ganhou força para Ana durante a exibição da novela, especialmente a partir da cena de intimidade protagonizada pelas personagens: “A gente tem duas mulheres numa cena de intimidade na televisão aberta, no horário nobre, e isso não é pouca coisa. Foi aumentando esse desejo de eternizar essa história cada vez mais. Ver a repercussão em todos os lugares e furando a bolha, para mim, foi o mais incrível”, conta.

Ana Boeckel
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Ana Boeckel

A proposta, porém, não se limita a reconstruir a trajetória de Lorena e Juquinha. O roteiro utiliza o casal como ponto de partida para percorrer a representação dos relacionamentos entre mulheres na teledramaturgia e recuperar histórias que enfrentaram diferentes formas de censura ao longo dos anos.

“Eu não queria que fosse só algo sobre Loquinha. Muito pela minha profissão e até pela minha sexualidade, que são duas coisas que sempre conversaram a vida toda, eu queria fazer um traçado pela história dos amores lésbicos na teledramaturgia. Queria que esses depoimentos permeassem a história desse casal, mas que também fosse um passeio por outros casais que foram censurados, para que a gente chegasse até aqui”, explica Ana.

Para construir essa narrativa, a diretora buscou reunir diferentes experiências entre as 15 participantes. O processo começou pelas redes sociais, quando Ana publicou que procurava fãs de Loquinha interessadas em contar suas histórias. A intenção era ampliar as perspectivas reunidas pelo filme e incluir também mulheres de fora do Brasil, acompanhando a dimensão internacional conquistada pelas personagens.

Entre os relatos, um deles sintetizou para Ana a relação entre teledramaturgia e vida real. Uma das entrevistadas conta que, após a exibição da cena em que Lorena é expulsa de casa, viveu situação semelhante e recebeu uma ligação da própria mãe depois que ela assistiu à sequência na novela.

“Para mim, é por isso que a teledramaturgia existe, é por isso que ela entra na casa de milhões de pessoas todos os dias e é por isso que atravessa as pessoas dessa forma tão potente. Isso para mim nunca vai ser pouca coisa”, afirma.

De “Três Graças” ao fenômeno Loquinha

A mobilização em torno de Lorena e Juquinha ultrapassou os capítulos de "Três Graças". A resposta dos fãs levou os Estúdios Globo a criarem Loquinha, novela vertical escrita por Márcia Prates e com direção artística de Luiz Henrique Rios. Desenvolvida especialmente para as redes sociais, a produção contou com 25 episódios dedicados ao cotidiano das personagens e aos desafios enfrentados pelas duas na construção de uma vida juntas.

Considerando os conteúdos da campanha, os episódios e suas versões traduzidas, "Loquinha" acumulou 234 milhões de visualizações e 14 milhões de interações. A produção também recebeu versões em inglês e espanhol, ampliando a circulação da história para outros países.

Para Ana, parte dessa conexão está na maneira como o relacionamento foi incorporado ao cotidiano da novela: “A gente nunca viveu uma história dessa na teledramaturgia, não só em termos de tempo de tela e de roteiro, mas de banalidade, no melhor sentido da palavra. A gente nunca teve um casal de duas mulheres ou de dois homens que tivesse vivido a banalidade do cotidiano na história da televisão. E isso, para mim, é algo histórico.”

A repercussão também chegou ao mercado publicitário. Loquinha está entre as campanhas premiadas na 19ª edição do Effie Awards Brasil, reconhecimento dedicado a estratégias que associam criatividade a resultados efetivos. A categoria do troféu conquistado pela produção será conhecida durante a cerimônia marcada para 10 de novembro, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

Loquinha: Amor que vira memória foi inicialmente pensado para chegar ao público ainda durante a reta final de "Três Graças". O projeto acabou permanecendo guardado após o encerramento da novela e agora ganha seu lançamento independente cinco meses depois.

“Eu queria muito que ele estivesse no mundo antes de a novela acabar. Hoje sinto que está sendo lançado no momento certo. Loquinha é um casal que vai seguir com uma repercussão eterna”, diz Ana. “Histórias que atravessam a vida das pessoas através da arte sempre merecem ser ouvidas. Eu queria muito que essas meninas fossem ouvidas.”

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Ana Boeckel amplia trajetória no audiovisual

Atriz carioca, Ana Boeckel iniciou sua formação no teatro aos 15 anos e passou a explorar diferentes áreas da criação artística. Além da atuação, acumulou experiências nos bastidores da produção teatral e atualmente se especializa em direção audiovisual.

Diante das câmeras, integra projetos para cinema e televisão. Em "Emergência 53", do Globoplay, fez sua primeira participação em uma produção da Globo ao interpretar Clara no quinto episódio da série criada por Claudio Torres, Márcio Maranhão e Andrucha Waddington. A personagem acompanha de perto uma situação de violência doméstica e colocou Ana em cena ao lado de nomes como Adriano Garib e Ana Hikari, sob direção de Cláudio Torres.

No cinema, participa de "Trago Seu Amor", longa protagonizado por Giovanna Grigio, e protagoniza o curta-metragem "Azul", dirigido por Luiza Pinheiro. Na produção, interpreta Celine, uma cantora de velório que, após perder a namorada, recebe a oportunidade de reencontrá-la por mais um dia. O curta vem circulando por festivais no Brasil e no exterior.

Ana também desenvolve trabalho como criadora de conteúdo dedicado à televisão, ao cinema e ao audiovisual. Em suas redes sociais, produz análises, entrevistas e conteúdos sobre os processos envolvidos na criação de obras audiovisuais. Com "Loquinha: Amor que vira memória", reúne essas diferentes frentes em um projeto autoral no qual assume roteiro e direção.  


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