Artistas se unem no novo single “Existe”, manifesto de existência e resistência Trans
Alicia Abe
Artistas se unem no novo single “Existe”, manifesto de existência e resistência Trans

Boombeat, Enme, Jupi77er, Coral e Siamese se unem no single “Existe”, lançado na última quinta-feira (29), Dia da Visibilidade Trans, como um manifesto coletivo de existência, afeto e resistência. Disponível em todas as plataformas digitais, a faixa conta com produção musical assinada por Fejuca e Gabriel Saffi e nasce de um camping criativo realizado a partir de uma parceria entre a BOA Música Brasil e a DOG Music Lab.

O encontro reuniu artistas trans em um espaço de escuta, troca e criação, colocando no centro narrativas, sentimentos e questionamentos atravessados por vivências comuns. “Um camping com pessoas trans, trazendo as nossas narrativas, questionamentos e sentimentos é um prato cheio pra construção da nossa ‘transcestralidade’. E quanto mais pessoas como nós falarem e se colocarem no mundo, mais força daremos pras que virão”, afirma Coral.

Idealizado a partir da iniciativa da rapper Boombeat em conjunto com a DOG Music Lab, o projeto surge da necessidade de ampliar a visibilidade de artistas trans e de afirmar a existência desses corpos como um gesto cotidiano e coletivo. Essa urgência se traduz em uma canção que fala sobre presença, construção de futuro e a importância de ocupar espaços para além das margens, com dignidade, sensibilidade e potência.

“Nessa conversa, estávamos falando sobre a necessidade e importância de existir músicas com narrativas trans, até mesmo pelas especificidades que são exclusivas da nossa vivência e merecem ser contadas”, comenta Boombeat. Segundo a artista, o instrumental criado por Fejuca e Saffi permitiu que cada voz explorasse sua identidade de forma livre, dentro de uma sonoridade brasileira, popular e atemporal.

Foto: Alicia Abe
Foto: Alicia Abe
Foto: Alicia Abe
Foto: Alicia Abe
Foto: Alicia Abe
Foto: Alicia Abe


Definida como multisonora, “Existe” não se ancora em um único gênero. A faixa transita entre referências da MPB, rock, neo-soul e R&B, resultando no que Fejuca define como “MPBU”(Música Popular Brasileira Urbana). “A ideia foi construir uma sonoridade atemporal. Somos muito fãs de fuzz, violão, beats com timbres clássicos, samples e piano acústico. A partir desses elementos, chegamos a uma textura sonora que gostamos muito. Houve amor do início ao fim”, explica o produtor.

Mais do que um lançamento musical, o projeto se apresenta como um espaço de afirmação e futuro para a comunidade trans em um país que historicamente empurra essa população para a margem. “Meus versos nasceram de forma muito natural, em sintonia com tudo o que já havia sido dito e sentido ali. Foi bonito acompanhar a música ganhando corpo, voz e afeto”, compartilha Siamese.


Ao reunir diferentes artistas trans em um processo criativo coletivo, “Existe” se consolida como um gesto político e afetivo, criando referências, fortalecendo vínculos e abrindo caminhos para novas possibilidades de existência. “A música retrata um pouco do que queríamos cantar para um futuro distante, depois de uma vida longa, de muitas caminhadas. ‘Um sonho além do tempo e o orgulho de quem ela se tornaria’”, conclui Enme.


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