Policial militar é flagrada atacando verbalmente um grupo de travestis em Osasco
Reprodução/Instagram
Policial militar é flagrada atacando verbalmente um grupo de travestis em Osasco

Uma agente militar foi flagrada fazendo ataques transfóbicos a travestis e mulheres trans em uma abordagem policial em Osasco, em São Paulo. A policial se recusou a se referir às travestis no pronome feminino porque os documentos não estavam retificados ou com nome social. Uma das vítimas gravou o momento e postou o momento nas redes sociais e cobrou a Polícia Militar no Instagram.

“Parabenizo a polícia do estado de São Paulo por colocar uma profissional não capacitada intelectualmente para trabalhar em sociedade. Transfobia é crime. Respeito é uma via de mão dupla”, escreveu Luna Nunes, uma das vítimas que postou o registro.

No vídeo, a agente militar é vista xingando as travestis. Questionada por uma delas sobre o tratamento, a policial retrucou: “Quer saber de lei? Vai estudar. Quer que chame de mulher vai trocar o nome na certidão, vai me trazer o RG com nome de mulher. Por enquanto é homem. Vai, ‘rapa’ fora daqui”.

Nos stories do Instagram, Luna explica que o caso aconteceu em uma tabacaria com outras amigas trans. Tudo começou quando o grupo presenciou uma agressão entre um homem e uma mulher e tentou separar. O homem, então, teria entrado no carro e dirigido em alta velocidade, acertando uma moto e ferindo um casal. “A gente foi socorrer porque não tinha ninguém no local”, explica.

As jovens acionaram a polícia e ligaram para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). As agressões dos policiais começaram assim que a viatura chegou no local. “A polícia chegou e já foi tirando com a nossa cara, já começaram a fazer chacota com a gente”, diz.

Elas passaram as informações para os profissionais de pronto atendimento e voltaram à tabacaria. Ao ver que o homem que atropelou a moto estava no local, o grupo foi avisar os policiais. “Para que? Chegamos lá e fomos retiradas”. O episódio registrado no vídeo ocorreu porque se referiu à Luna como “ele”, ao que as amigas tentaram defender.

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“Ela começou com a transfobia dela, falando que ‘ele’ não tinha mudado o nome, então ‘ele era homem’. Doeu em todo mundo porque todas eram trans. Foi transfobia. Atingiu uma, atingiu todas. A gente não vai se calar”, relata. Luna conta ainda que todos os outros policiais que estavam perto da agente filmada também estavam ofendendo e rindo das travestis.

Luna relata ainda que, em outro momento, a policial teria dado a volta no carro e jogado spray de pimenta na direção das jovens. “[Fizeram isso] sem a gente ter feito absolutamente nada”, conclui.

O registro ganhou repercussão na internet e foi repostado pela vereadora Erika Hilton, que lamentou o ocorrido e afirmou ter oficiado a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a Corregedoria da Polícia e a Polícia Militar “para que a conduta seja urgentemente investigada e encerrada”. “Não aceitaremos violência institucional contra as nossas. Temos memória e queremos justiça”, escreveu a vereadora.

Desde 2019, os crimes de LGBTfobia foram equiparados aos de racismo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) , sendo inafiançáveis e imprescritíveis. A decisão prevê pena de um a três anos de prisão. 

Em nota ao iG Queer, a SSP de São Paulo afirmou que foi instaurado um procedimento interno para analisar a conduta da policial e que a agente será reorientada. A reportagem também questiona se haverá indiciamento ou afastamento da agente pelo crime de transfobia, mas ainda não obteve resposta.

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