Aprenda a se proteger de catfishing nas redes sociais e em apps de relacionamento
Alex Green/Pexels
Aprenda a se proteger de catfishing nas redes sociais e em apps de relacionamento

Os nomes do jogador de vôlei italiano Roberto Cazzaniga e da modelo brasileira Alessandra Ambrósio viraram notícia na última semana. Isso porque Roberto estava, supostamente, se relacionando com a modelo pela internet desde 2008 . Na verdade, Roberto foi vítima de catfishing, uma prática em que uma pessoa cria um perfil falso e finge ser outra pessoa para enganar outras pessoas, principalmente ao entrarem em um relacionamento virtual.

Além do coração partido, o golpe saiu caro: quem administrava a conta da falsa Alessandra Ambrósio era uma quadrilha que, ao longo de 13 anos, tirou € 700 mil do jogador, cerca de R$ 4,4 milhões na cotação atual. Apesar de se tratar de um suposto relacionamento heterossexual, pessoas LGBTQIA+ não estão menos vulnerável a esse tipo de situação nos aplicativos de relacionamento. Por isso, é importante adotar cuidados e ter atenção redobrada na hora de conhecer alguém na internet.

Sofia Menegon, consultora de sexualidade e apresentadora do podcast Louva a Deusa, aponta que alguns aplicativos de relacionamento já se comprometeram a ser “catfish free”, mas essa única certificação não basta como selo de segurança. “A verdade é que em todos os apps existe a possibilidade de encontrarmos pessoas irreais ou informações fictícias sobre elas. Alguns desses perfis fake são tão bem feitos que até o usuário mais atento pode ser enganado”, diz.

O lado emocional nesses casos também deve ser levado em conta. A consultora explica que, além das falsificações bastante reais, pode existir por parte de algumas pessoas o desespero de encontrar uma parceria. “A vontade de que seja real pode ser tão grande que até os sinais de alerta passam batido”.

O psicanalista e sexólogo Gustavo Rosa, colaborador da Plataforma Sexo sem Dúvida, explica que o catfish (ou seja, quem está aplicando o golpe) geralmente é muito receptivo. “Essa pessoa quer agradar, sabe o que falar para isso e monta um cenário inteiro para que a vítima caia. É uma armadilha”, descreve.

Quando dentro da armadilha, a vítima pode se deparar com uma mudança de comportamento ou com pedidos fora do normal, geralmente pedindo dinheiro. “Geralmente, nesse cenário, a pessoa ou alguém da família está doente. Como a vítima já está nesse enredo, ela se vê obrigada a ajudar essa pessoa”, diz o psicanalista. Ele alerta que, apesar de existirem mais informações sobre o catfish, esses golpes continuam sendo muito comuns.

Pessoas LGBTQIA+ precisam ter cuidado redobrado

Sofia e Gustavo explicam que, devido aos altos índices de violência aos quais as pessoas LGBTQIA+ estão submetidas, é preciso tomar precauções extras e ser mais minucioso ainda. O Brasil é considerado o país que mais assassina LGBTQIA+ no mundo.

Gustavo explica que existem muitas pessoas mal-intencionadas nos aplicativos de relacionamento LGBT, principalmente nos que são voltados para homens gays e bissexuais. “Muitas pessoas que estão lá são casadas e vivem uma vida heteronormativa na sociedade. O interesse desses homens é puramente sexual, por isso não são colocadas fotos do rosto, apenas do corpo. Também existem relatos de grupos extremamente homofóbicos que usam o aplicativo para violentar pessoas LGBT”, adverte.

Por esse motivo, Sofia recomenda que se dê preferência por pessoas com quem se possa ter amigos em comum. Dessa forma, é possível saber de forma mais verdadeira sobre as intenções e a personalidade de alguém. No caso de um encontro presencial, Gabriel sugere que sejam feitas ligações por vídeo antes. Caso as pessoas estejam interessadas apenas em sexo, é importante tentar fazer um encontro em lugar público antes.

Como analisar se o perfil de alguém na internet é falso?

Para que uma relação a distância seja saudável e prazerosa, Sofia explica que é importante que haja verdade desde o começo. No entanto, a distância torna mais possível que alguém conte mentiras sem ser pego. Para saber se o que aquela pessoa está dizendo, comece avaliando as redes sociais. “Observe se tem mais de uma postagem, se tem seguidores, amigos. Perceba se as imagens correspondem àquilo que a pessoa diz na sua bio”, instrui.

Gustavo também alerta para o uso excessivo de filtros e de colagens. “Perfis sem fotos ou que só usam fotos de paisagens e lugares históricos merecem atenção”, diz. Sofia complementa que o mesmo vale para perfis sem fotos de pessoas ou de pessoas que não correspondem com quem aquela pessoa diz ser.

Gustavo diz que é possível identificar se as fotos utilizadas por alguém nas redes sociais são verdadeiras pelo Google. Basta salvar a imagem e pesquisá-la pelo Google Imagens. "Existem pessoas que usam fotos de famosos ou aleatórias, até de sites de propagandas ou de recrutamento de emprego. Pesquisar a foto vai mostrar a origem daquela imagem caso seja falsa”, afirma.

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Sofia indica que informações pessoais, como telefone e endereço, devem ser deixadas para outro momento para manter a segurança. “Ligue o radar de catfish se a pessoa do outro lado começar a pedir dinheiro. Por mais triste que possa soar a história, não transfira valor algum antes de conhecer melhor quem está do outro lado e de averiguar a veracidade dos fatos relatados”, lembra.

Vale a pena ir atrás dos amigos em comum para saber quais são as opiniões de outras pessoas. “Mandar uma mensagem para ver se aquela pessoa realmente é conhecida é importante para tirar a dúvida”, diz Gustavo. Perfis trancados, se negar a passar número de telefone por muito tempo ou não aceitar a solicitação de amizade nas redes sociais também são sinais de alerta.

Se mesmo assim estiver desconfiando sobre as informações, pesquise sobre o trabalho daquela pessoa ou outros aspectos da vida dela fazendo perguntas sutis. “Por exemplo, se ela diz ter visitado um país, pergunte as cidades por onde passou, o clima, quais comidas experimentou, peça fotos e depois cheque no buscador se aquilo tudo bate mesmo”, instrui Sofia.

“Se o date fugir das perguntas ou responder algo muito distante do que você já pesquisou, talvez suas suspeitas estejam mesmo corretas. No mínimo, essa pessoa não está abrindo toda a verdade sobre si”, acrescenta.

Outra dica fundamental, de acordo com Gustavo, é confiar na intuição. “Se perceber que durante a conversa algo está errado, termine, bloqueie, pare de conversar. Siga sempre a sua intuição porque ela vai te ajudar e te guiar durante todo esse processo”, diz.

Chamadas de vídeo são importantes

Gustavo explica que ter contato por vídeo é fundamental para observar se aquela pessoa é real. A comunicação apenas por áudio não é indicada, já que é possível usar aplicativos que adulteram a voz ou moldar a realidade para aquela vítima com mais facilidade. “O vídeo, às vezes, é o primeiro contato que se terá com alguém”, diz.

Caso a pessoa comece a fugir e prefira a comunicação por texto e áudio, desconfie. “Desculpas para não fazer a videochamada, como ‘a internet está ruim’ ou ‘a câmera do notebook estragou’ podem acontecer nos casos de catfish”, afirma o psicanalista.

Caso a pessoa aceite fazer a chamada de vídeo, Sofia diz que é importante observar o que está ao redor e o que ela conta sobre a vida dela. “Desconfie das desculpas para colocar o fundo verde ou até para não ligar a câmera”, diz. Lembre-se de prestar atenção na frequência em que aquela pessoa usa desculpas para não fazer as chamadas de vídeo.

Não baixe a guarda no encontro presencial

Primeiramente, é importante que o encontro presencial só seja marcado caso se tenha certeza de que aquela pessoa realmente dizer ser quem é. Mesmo assim, as intenções de alguém podem não ser tão transparentes, o que torna importante manter os cuidados nos primeiros encontros presenciais.

Continue notando caso a pessoa se negue e dê desculpas para faltar no encontro. “Geralmente essas justificativas são relacionadas ao trabalho, doenças ou morar muito longe”, lista Gustavo.

Sofia instrui que o local escolhido seja público e que possa ser frequentado por outras pessoas conhecidas. “Evite locais em que não sinta que pode contar com as pessoas à sua volta. Ou, ao menos, deixe alguém avisado de onde estará, os horários do encontro e com quem vai estar. Combine algum código com um amigue caso desconfie do comportamento do date”, finaliza.

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