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"Estou eliminando partes de mim que me ofendem", diz Mulher Dragão sobre redesignação sexual


Aos 60 anos, a pessoa não-binária Tiamat Legion Medusa, conhecida como “Mulher Dragão”, quer fazer a  cirurgia de redesignação sexual para “completar” sua transição de gênero. Ela é conhecida por ter gastado R$385 mil em modificações corporais para se tornar uma réptil.

“Estou eliminando partes de mim que me ofendem, incluindo alguns de meus atributos físicos, e também como vivo minha vida hoje, como uma criatura que é parte humana e parte réptil”, explica Tiamat para o site chileno BioBio.


“Tendo ido e vindo do inferno, suportado tanta crueldade nas mãos dos humanos, me tornando algo de outra espécie. Essa é minha maneira de lidar com a dor e a angústia espiritual, emocional e psicológica que continuam a me assombrar na vida”, continuou.

Anteriormente conhecida como Richard Hernandez, ela é natural do Texas mas reside em Los Angeles, nos Estados Unidos. Entre as modificações que fez no corpo estão tatuagens que emulam a textura e aparência dos répteis, uma bifurcação na língua e remoção das orelhas. Além disso, ela faz terapia hormonal.

Primeiramente transicionou para uma mulher, mas tem se descoberto uma pessoa não binária. “Prefiro os pronomes ele/eles [no Brasil, os pronomes neutros são ile/dile ou elu/delu]. Uma das minhas prioridades é me despedir do meu pênis o quanto antes”, conta Tiamat ao BioBio, que depois se corrige. “Minha preferência é que simplesmente usem o pronome ‘it’ [usado para objetos e animais no inglês], assim como meu tipo, reptiliano. Minha metamorfose não acabou”.

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Por muitos anos, Tiamat foi uma bem-sucedida bancária e geriu um banco por 15 anos. Formada em finanças, ela chegou a se tornar vice-presidente e a cuidar da clientela principal da instituição. Tudo mudou na década de 1980, quando sonhou que estava sendo mordida por uma cobra e se transformava em meio humano, meio réptil: um humano reptiliano, em suas próprias palavras.

Ela descreve que, no sonho, estava rodeada de cobras de todas as cores que a picaram. “Eu estava com muito medo, mas enquanto o sonho continuava e elas continuavam a me morder pude ver que nem elas nem as mordidas doíam em mim”. Tiamat explica que as cobras estavam injetando um veneno para torná-la como elas.

Naquele período, ela descobriu que era uma pessoa soropositiva e decidiu tornar o sonho realidade. Ao site, ela diz que o sonho é vivido em suas lembranças e que se lembra dele “como se fosse na noite passada”. “Foi a partir dele que soube que era uma mensagem importante para mim, um presságio de que eu era uma delas. Um sinal das coisas que elas viam em minha vida”, afirma.

Segundo o site, a relação com as cobras vêm desde quando Tiamat era criança e aconteceu de forma traumática. Ela conta que os pais a abandonaram no meio da floresta no sul do Texas, à noite, na propriedade em que residiam seus avós.

“Lá a cascavel-diamante-ocidental é abundante. Eles deixaram a mim e aos dois dos meus outros três irmãos perto o suficiente da fazenda da família para que meus avós maternos nos encontrassem. Foi após ser jogado do carro pelos meus pais humanos como se fosse um lixo indesejado que adotei cascavéis venenosas como minha família”, diz.

O sofrimento ao qual Tiamat se refere também está relacionado a sua orientação sexual naquela época. Aos 11 anos, ela se descobriu um homem gay, o que fez com que passasse por bullying e diversas situações de homofobia ao longo da vida. “Hoje sou um dragão cuspidor de veneno, ao contrário do que cospe fogo e que é erroneamente imaginado pelas pessoas”, acrescenta.

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