
Bixarte, cantora e rapper paraibana fará sua grande estreia em São Paulo nesta sexta-feira (10), com o show de seu mais recente álbum "Feitiço". A apresentação contará com formato inédito, com banda e ballet.
O evento também celebrará a marca de 300 mil plays alcançados pelo disco no Spotify, que sinaliza a consolidação do trabalho da artista. O show será realizado no Sesc Pompeia, às 21h, e contará com participações de Don L, Afronta MC, Bia Ferreira e Ayô Tupinambá.
Em entrevista exclusiva ao iG, Bixarte falou da expectativa para o show, sobre o peso dos artistas apresentação e vivência travesti no rap nacional. Confira abaixo.
iG Queer: O que os fãs podem esperar do seu show de estreia em São Paulo?
Bixarte: "Eu acredito que os fãs podem esperar uma celebração. Esse ano eu faço sete anos de carreira. São sete anos que eu lancei a minha primeira música e eu estou com dois discos lançados. Então, eu vou revistar também essa minha memória, dessa minha carreira e eu estou preparando um espetáculo mesmo. Eu quero que as pessoas saibam desse show, sabendo que existe um feitiço poderosíssimo que é capaz de deixar a gente viva, perante o racismo, a transfobia, a violência doméstica, entre outras coisas".
iG Queer: Como você escolheu os artistas que participarão do show?
Bixarte: "Eu escolhi a dedo essas participações porque são pessoas que me atravessam enquanto ser humano antes de enquanto artista. Bia Ferreira é minha melhor amiga. É a pessoa que meus orixás colocaram para cuidar de mim e para que eu cuide também. Então, é uma pessoa que eu tenho na minha vida. O Dom L, eu sou fã para caramba. Eu ouvia quando era adolescente. Ayô Tupinambá é minha parceira, uma travesti que canta samba, que canta MPB, uma voz apoteótica do Brasil, e a Afronta MC para mim é uma grande aposta".
iG Queer: O que significa, para você, ver travestis ocupando o palco do rap hoje?
"Cara, eu falei recentemente em uma entrevista, que as travestis e as mulheres cisgenero não entraram na cena do Hip Hop. A gente criou um novo Hip Hop, que os homens participam dele, mas não são o centro das atenções. As mulheres hoje, estão no Hip Hop brasileiro, criou-se uma nova cena, novas plataformas, novos feats, novas formas de fazer rap. E é isso que está no mainstream de hoje. Eu acho que a gente teve que criar uma nova cena para ter espaço, mas as travestis ainda precisam cavar, mesmo dentro dessa cena que foi criada por mulheres, ainda precisamos cavar muito para ter uma igualdade. Então, eu acredito que é muito histórico o que a gente está fazendo nesse palco, cantando hip hop por vozes que são silenciadas pelo movimento. Cara, se não for contra as regras, nem adianta a gente fazer arte".
iG Queer: O álbum “Feitiço” marca uma nova fase na sua carreira. O que você quis transmitir com esse projeto?
Bixarte: "Eu acredito que meu primeiro álbum de estúdio, patrocinado pela Natura Musical, ele foi um divisor de águas na minha carreira, em números, em reconhecimento, em turnê. Mas eu não fiz o xx pensando nos shows. O "Feitiço", já foi um disco que eu fiz pensando em cada momento do show: começo, meio e fim. Eu acredito de verdade que, para mim, antes das pessoas, é um momento de firmar que eu estou fazendo o que eu gosto e não o que a indústria quer que eu faça. Eu não vou me vender. Eu preciso do dinheiro, ele precisa vir para corpos como o meu, mas não é para isso que eu faço música. Eu faço música porque eu entendo que a música é um espaço de sobrevivência, e porque eu acredito que, fazendo música, a gente pode salvar a vida de muita gente".
Quem é Bixarte?
Bianca Manicongo, conhecida pelo nome artístico Bixarte é uma rapper brasileira. Nascida em Taboão da Serra, na Paraíba, ela atua como atriz e compositora.




